A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo chegou a 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes até 20 de outubro, com letalidade de 48,3% — quase uma morte para cada dois doentes. Os números estão no boletim de surto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 23 de outubro, que também registra 2.595 recuperações.
O surto foi declarado em 15 de maio deste ano e se espalhou por 66 zonas de saúde em oito províncias. A província de Ituri é o epicentro, com 7.040 casos e 3.271 mortes. Desde o boletim anterior, a OMS somou 976 casos e 482 mortes.
Um vírus sem vacina aprovada
O agente é o vírus Bundibugyo (BDBV), uma das espécies do gênero Orthoebolavirus e causa de uma forma grave de doença por Ebola. Morcegos frugívoros são o reservatório natural suspeito. Não existe vacina aprovada nem tratamento específico contra essa espécie — o que diferencia este surto dos episódios de Ebola Zaire, para os quais há vacina licenciada.
Em 23 de outubro começou em Bunia, na própria Ituri, o ensaio clínico de fase 2/3 batizado de TUMAINI, conduzido pelas autoridades congolesas com estratégia de vacinação em anel — imunizar quem conviveu com casos confirmados. A primeira vacina testada é a Ervebo, eficaz contra a cepa Zaire e de efeito desconhecido contra a Bundibugyo; quatro pessoas foram vacinadas no lançamento, segundo a ONU News. Grupos técnicos da OMS avaliam duas candidatas específicas para essa cepa, a ChAdOx1 e a mRNA-1469. Resultados são esperados em alguns meses.
Quênia e Nigéria
O Quênia confirmou seu primeiro caso em 6 de outubro: um homem que havia trabalhado na RDC, voltou por Uganda em 3 de outubro e morreu em Nairóbi dois dias depois. Os oito casos seguintes formaram um único aglomerado entre familiares e profissionais de saúde, e o país não registra transmissão comunitária. O número de mortes muda conforme a data da apuração: o boletim da OMS de 23 de outubro contabilizava uma, e a ONU News informou duas em 27 de outubro.
Em 26 de outubro, 20 contatos foram liberados depois de 21 dias de monitoramento, sem sintomas; 98 seguiam em quarentena. Na Nigéria, um caso importado foi confirmado em Abuja em 20 de outubro, com 44 contatos sob vigilância. Uganda e França também aparecem na lista de países afetados, sem números no boletim.
O que a OMS recomenda
A avaliação de risco feita em 14 de agosto classifica a situação como muito alta na RDC, alta nos países que têm fronteira terrestre com ela e baixa no resto da região africana e no mundo. Uma revisão está em andamento.
A OMS se posiciona contra qualquer restrição de viagem ou de comércio com os países afetados e pede vigilância reforçada nas fronteiras, monitoramento em pontos de entrada e detecção rápida de casos.
O indicador que explica a persistência da curva está no acompanhamento de contatos: a taxa na RDC é de 79,7%, abaixo da meta de 95%. Em um surto de Ebola, cada contato não encontrado é uma cadeia de transmissão que segue aberta.
Com informações da Organização Mundial da Saúde e da ONU News.




