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Epidemia de Ebola na República Democrática do Congo chega a 9.704 casos e 4.687 mortes, e a doença já apareceu no Quênia e na Nigéria

Boletim da OMS de 23 de outubro aponta letalidade de 48,3% em 66 zonas de saúde de oito províncias congolesas, com Ituri concentrando 7.040 casos; o primeiro teste de vacina contra o vírus Bundibugyo começou em Bunia no dia 23.

Por Redação RecortNews
Micrografia eletrônica de varredura colorizada de partículas do vírus Ebola (em verde) saindo de uma célula infectada, em imagem de 2014.
Micrografia eletrônica de varredura colorizada de partículas do vírus Ebola (em verde) saindo de uma célula infectada, em imagem de 2014.Foto: BernbaumJG/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo chegou a 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes até 20 de outubro, com letalidade de 48,3% — quase uma morte para cada dois doentes. Os números estão no boletim de surto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 23 de outubro, que também registra 2.595 recuperações.

O surto foi declarado em 15 de maio deste ano e se espalhou por 66 zonas de saúde em oito províncias. A província de Ituri é o epicentro, com 7.040 casos e 3.271 mortes. Desde o boletim anterior, a OMS somou 976 casos e 482 mortes.

Um vírus sem vacina aprovada

O agente é o vírus Bundibugyo (BDBV), uma das espécies do gênero Orthoebolavirus e causa de uma forma grave de doença por Ebola. Morcegos frugívoros são o reservatório natural suspeito. Não existe vacina aprovada nem tratamento específico contra essa espécie — o que diferencia este surto dos episódios de Ebola Zaire, para os quais há vacina licenciada.

Em 23 de outubro começou em Bunia, na própria Ituri, o ensaio clínico de fase 2/3 batizado de TUMAINI, conduzido pelas autoridades congolesas com estratégia de vacinação em anel — imunizar quem conviveu com casos confirmados. A primeira vacina testada é a Ervebo, eficaz contra a cepa Zaire e de efeito desconhecido contra a Bundibugyo; quatro pessoas foram vacinadas no lançamento, segundo a ONU News. Grupos técnicos da OMS avaliam duas candidatas específicas para essa cepa, a ChAdOx1 e a mRNA-1469. Resultados são esperados em alguns meses.

Quênia e Nigéria

O Quênia confirmou seu primeiro caso em 6 de outubro: um homem que havia trabalhado na RDC, voltou por Uganda em 3 de outubro e morreu em Nairóbi dois dias depois. Os oito casos seguintes formaram um único aglomerado entre familiares e profissionais de saúde, e o país não registra transmissão comunitária. O número de mortes muda conforme a data da apuração: o boletim da OMS de 23 de outubro contabilizava uma, e a ONU News informou duas em 27 de outubro.

Em 26 de outubro, 20 contatos foram liberados depois de 21 dias de monitoramento, sem sintomas; 98 seguiam em quarentena. Na Nigéria, um caso importado foi confirmado em Abuja em 20 de outubro, com 44 contatos sob vigilância. Uganda e França também aparecem na lista de países afetados, sem números no boletim.

O que a OMS recomenda

A avaliação de risco feita em 14 de agosto classifica a situação como muito alta na RDC, alta nos países que têm fronteira terrestre com ela e baixa no resto da região africana e no mundo. Uma revisão está em andamento.

A OMS se posiciona contra qualquer restrição de viagem ou de comércio com os países afetados e pede vigilância reforçada nas fronteiras, monitoramento em pontos de entrada e detecção rápida de casos.

O indicador que explica a persistência da curva está no acompanhamento de contatos: a taxa na RDC é de 79,7%, abaixo da meta de 95%. Em um surto de Ebola, cada contato não encontrado é uma cadeia de transmissão que segue aberta.

Com informações da Organização Mundial da Saúde e da ONU News.