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Economia

EUA e China empurram a trégua tarifária para 10 de janeiro, e Xi deixa Washington sem acordo maior

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o arranjo que venceria em 10 de novembro ganhou mais dois meses. Pequim está "um pouco atrasada" em cerca de US$ 17 bilhões de compras agrícolas.

Por Redação RecortNews
Donald Trump cumprimenta Xi Jinping antes da reunião bilateral no aeroporto internacional de Gimhae, em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025 — a cúpula que produziu a trégua agora estendida.
Donald Trump cumprimenta Xi Jinping antes da reunião bilateral no aeroporto internacional de Gimhae, em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025 — a cúpula que produziu a trégua agora estendida.Foto: The White House/Wikimedia Commons, Public domain

Estados Unidos e China vão manter a trégua tarifária em vigor até 10 de janeiro de 2027, dois meses a mais do que o previsto, informou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, no encerramento da visita de Estado de Xi Jinping a Washington — e sem o acordo mais amplo que os dois governos vinham sinalizando.

O arranjo é de outubro de 2025 e venceria em 10 de novembro de 2026. O que ficou acertado é a prorrogação dos termos existentes, não a substituição deles: a tabela tarifária, as suspensões e os compromissos de compra atravessam intactos para a nova janela.

O que a prorrogação mantém de pé

Do lado americano, as tarifas sobre importações chinesas ligadas ao fentanil seguem em 10%, e a investigação da Seção 301 sobre os setores marítimo e de logística da China continua suspensa.

Do lado chinês, Pequim segue segurando as tarifas retaliatórias e as contramedidas que havia anunciado, e os controles de exportação que impôs às terras raras continuam pausados — a cláusula de maior alcance sobre a indústria americana, já que esses materiais alimentam ímãs, eletrônica de defesa e veículos elétricos.

Bessent disse à Fox News que a extensão serve "para nos dar mais tempo de ver o que conseguimos fazer no campo econômico". Não se comprometeu com um acordo até 10 de janeiro, e deixou aberta a possibilidade de estender de novo.

As compras agrícolas são o ponto sensível

É na parte agrícola que os dois lados divergem — não sobre o texto, mas sobre o cumprimento.

O compromisso chinês em vigor cobre 25 milhões de toneladas métricas de soja americana, e os compradores chineses já haviam levado mais da metade da meta deste ano até meados de setembro, segundo a Global Agriculture. Bessent afirmou que Pequim tem sido "muito generosa" especificamente na soja.

O resto da conta é mais magro. Sobre cerca de US$ 17 bilhões em outros compromissos agrícolas, Bessent disse que os chineses estão "um pouco atrasados".

A diferença não é só política. Analistas ouvidos pela Global Agriculture leem a compra irregular de Pequim como um cálculo direto de preço: os importadores chineses vêm pesando os compromissos com os Estados Unidos contra a soja mais barata do Brasil e da Argentina, e comprando de acordo. Isso transforma o ritmo das compras chinesas em 2027 numa questão tão relevante para o exportador sul-americano quanto para o do Meio-Oeste americano.

O que não aconteceu

A cúpula não produziu avanço anunciado nos temas que as duas capitais descrevem como os mais duros.

Xi pressionou Trump a interromper a venda de armas americanas a Taiwan, e nenhum acordo público apareceu. Um grande pacote de armas para Taiwan segue sem aprovação e agora paira sobre o encontro que os dois esperam ter em novembro.

Trump havia reduzido, no mês anterior, os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul — uma demanda antiga de Pequim. Nem Xi nem a imprensa estatal chinesa reconheceram publicamente a concessão.

Em inteligência artificial, a leitura do Atlantic Council é que os dois lados mostraram "alguma sobreposição conceitual em torno de controle humano e riscos de mau uso", mas não fecharam acordo sobre nenhum mecanismo concreto — nem protocolo de notificação de incidentes, nem limite ao desenvolvimento avançado.

O calendário é que está trabalhando

A prorrogação de dois meses funciona menos como solução e mais como novo prazo, e os dois líderes têm motivo para manter o relógio andando. Xi quer Trump na cúpula da APEC em Shenzhen, em novembro; Trump quer Xi no G20 em Miami, em dezembro.

10 de janeiro cai logo depois dos dois.

Com informações do Atlantic Council, do Supply Chain Dive e da Global Agriculture, incluindo declarações do secretário do Tesouro Scott Bessent à Fox News.