O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou na terça-feira (27) o terceiro foco de doença de Newcastle em Santa Catarina. O caso foi detectado em uma granja comercial de Nova Erechim, no Oeste do estado, com 9,6 mil aves — nenhuma delas com sinais clínicos, segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
É o quarto caso em criação comercial registrado no país. O achado não veio de uma denúncia: apareceu na vigilância intensificada que o serviço veterinário oficial já mantinha dentro da área de emergência declarada depois do primeiro foco.
A sequência dos focos
O primeiro caso foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja de perus de corte de Nova Itaberaba, com cerca de 6 mil aves. As amostras que o revelaram tinham sido colhidas em 21 de setembro, também em vigilância ativa e também em aves sem sintomas. O segundo foco foi confirmado em 24 de outubro, em Coronel Freitas.
Em Nova Itaberaba, as medidas sanitárias já foram concluídas e a propriedade está em vazio sanitário. Em Coronel Freitas, o abate e o enterro sanitário dos perus terminaram, e a limpeza e desinfecção seguiam em andamento. Em Nova Erechim, a Cidasc ampliou o raio de vigilância em cerca de 9,5 km e iniciou a investigação epidemiológica.
A emergência sanitária está fixada na Portaria 962/2026 do Mapa, vale por 60 dias e cobre quatro municípios vizinhos: Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Entre 20 e 26 de outubro, as equipes vistoriaram 684 propriedades na região — 133 comerciais e 551 de subsistência —, e quatro barreiras sanitárias foram instaladas.
O que já aconteceu com as exportações
O efeito comercial começou antes deste terceiro foco. Depois da confirmação do caso de Nova Itaberaba, a China restringiu a compra de carne de aves apenas de Santa Catarina, mantendo os demais estados — resultado de uma negociação do governo brasileiro para evitar um embargo nacional. O Chile também limitou a restrição ao estado, com uma lista mais longa de produtos, que inclui ovos férteis, pintinhos de um dia e carne fresca de aves.
O México foi além e suspendeu as importações de todo o território brasileiro, de aves vivas e carne a ovos férteis e aves ornamentais. Pelos dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país foi o sétimo maior comprador de frango brasileiro no ano passado.
Pelas regras em vigor, o Brasil só poderia voltar a ser considerado livre da doença 90 dias depois do encerramento dos focos. O governo pediu à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a redução desse prazo, mas a mudança ainda não foi implementada.
O precedente mais próximo é de julho de 2024, quando um foco em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, paralisou as vendas à China: cerca de um mês depois, os embarques dos outros estados foram retomados, e o frango gaúcho só foi liberado em janeiro seguinte.
Risco para quem consome
O Mapa afirma que os produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanecem seguros para consumo. Segundo a OMSA, a infecção humana pelo vírus é rara, geralmente leve, e ocorre sobretudo por contato direto com aves infectadas.
Produtores da região devem comunicar qualquer suspeita ao escritório local da Cidasc ou pelo sistema e-Sisbravet.
Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária, da Cidasc, da ABPA, do ND Mais, da Exame, do FeedFood e da Tribuna do Sertão.




