A Itália decidiu enviar navios de guerra ao estreito de Bab al-Mandeb para escoltar a navegação comercial, e não vai esperar que a União Europeia chegue a uma posição comum. O anúncio é do ministro da Defesa, Guido Crosetto, na sexta-feira, 18.
"Temos capacidade para proteger a passagem", disse o ministro, segundo a Al Jazeera. Crosetto justificou a decisão unilateral dizendo que a situação atual não comporta a demora de decisões burocráticas, e falou em "graves consequências econômicas" caso a via se torne intransitável.
O governo italiano não divulgou quantos nem quais navios serão deslocados.
Por que este estreito
Bab al-Mandeb liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e é a porta sul do canal de Suez. Tem entre 26 e 30 quilômetros no ponto mais estreito, e por ele passa da ordem de 12% do comércio marítimo mundial e cerca de 10% do comércio de petróleo, conforme os números citados por Al Jazeera e Marine Insight.
Para a Itália, o cálculo é direto: o país vive de portos no Mediterrâneo — Gioia Tauro, Trieste, Gênova — que dependem do fluxo de Suez. Um Bab al-Mandeb fechado obriga o contorno pelo cabo da Boa Esperança, que acrescenta cerca de dez dias a uma viagem Ásia-Europa e desloca carga para portos do norte do continente.
O que mudou no Iêmen
O anúncio vem depois de uma ofensiva rápida dos houthis, que passaram a controlar toda a costa oeste iemenita do mar Vermelho, incluindo o porto de Mocha e um conjunto de ilhas. Entre elas está Perim, no meio do estreito, que divide a passagem em dois canais — uma posição que dá ao grupo alcance sobre os dois lados da via.
O grupo, alinhado ao Irã, tem histórico de ataques a embarcações ligadas aos Estados Unidos e a seus aliados na região. Nesta semana, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Sanaa em manifestação de apoio aos houthis, enquanto forças do governo iemenita dizem atacar o grupo no oeste do país.
União Europeia e Estados Unidos já mantêm missões de proteção à navegação na área, mas vêm encontrando dificuldade à medida que os combates se intensificam. A decisão italiana de agir por fora desse arranjo é, na prática, o reconhecimento de que a resposta coletiva não acompanhou o ritmo do problema.
O movimento se soma ao aperto no outro extremo da rota do petróleo: com o estreito de Ormuz fechado, os dois principais gargalos entre o Golfo e a Europa estão simultaneamente comprometidos.
Com informações da Al Jazeera e da Marine Insight.



