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Kristersson renuncia depois que a contagem final dá 176 das 349 cadeiras à oposição sueca

Três cadeiras e cerca de 50 mil votos separaram os blocos; os Democratas Suecos caíram de 20,5% para 17,5%, a primeira queda do partido

Por Redação RecortNews
Magdalena Andersson e Ulf Kristersson em debate no plenário do Riksdag, em Estocolmo, em novembro de 2025.
Magdalena Andersson e Ulf Kristersson em debate no plenário do Riksdag, em Estocolmo, em novembro de 2025.Foto: Melker Dahlstrand/Sveriges riksdag

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, anunciou na quinta-feira (17) que deixa o cargo, horas depois de a contagem definitiva dos votos confirmar que a oposição de esquerda conquistou a maioria do Riksdag, o Parlamento sueco. O pedido foi feito em carta ao presidente da Casa e divulgado pelo próprio Kristersson na rede social X.

"Peço, a partir de agora, ser dispensado do cargo de primeiro-ministro, para que esse trabalho possa começar imediatamente", escreveu, referindo-se à formação do novo governo.

A eleição mais apertada em décadas

A votação ocorreu em 13 de setembro, mas o resultado só ficou fechado quatro dias depois, com a apuração dos votos antecipados e dos enviados do exterior. O placar final: 176 cadeiras para o bloco formado por social-democratas, Partido de Esquerda, Verdes e Partido do Centro, contra 173 do bloco de Kristersson — Moderados, Democratas Suecos, Democratas Cristãos e Liberais. São 349 cadeiras no total.

A diferença entre os dois blocos foi de cerca de 50 mil votos, num país de 10,6 milhões de habitantes. Uma mudança de duas cadeiras teria invertido o resultado.

O recuo da extrema direita

Os Democratas Suecos, legenda anti-imigração que sustentava o governo por fora desde 2022, tiveram 17,5% dos votos, contra 20,5% quatro anos antes. É a primeira vez que o partido perde votos desde que entrou no Parlamento, em 2010. O partido segue como terceira força do Riksdag.

Os social-democratas, por sua vez, continuam sendo a maior sigla isolada, com 99 cadeiras.

Uma maioria de três cadeiras e quatro partidos que discordam

Magdalena Andersson, que foi primeira-ministra por pouco mais de dois meses em 2022, é a favorita para voltar ao cargo, mas não há nomeação. Antes disso ela precisa costurar um acordo entre siglas que se recusam mutuamente: o Partido de Esquerda exige cadeiras no gabinete, e o Partido do Centro, de perfil liberal, se opõe a ministros da legenda.

O voto do Parlamento sobre o novo primeiro-ministro deve ocorrer, no mais cedo, em 29 de setembro. Até lá, Kristersson permanece à frente de um governo interino.

Vale registrar o que o placar diz e o que ele não diz: uma maioria de três cadeiras permite formar governo, mas não permite perder votos. Qualquer um dos quatro partidos do bloco vencedor tem, sozinho, poder de derrubar uma votação.

Com informações de Al Jazeera, Associated Press e Sveriges riksdag.