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Política

Ministério Público do Paraguai manda prender Santiago Peña horas depois de o Senado destituí-lo

A resolução fiscal nº 7, no processo penal 92/2026, o investiga por "lesión de confianza" (quebra de confiança); a Polícia o manteve sob custódia em casa e também prendeu o ex-funcionário do Banco Central Carlos Carvallo

Por Redação RecortNews
Santiago Peña, então presidente do Paraguai, durante visita oficial a Taiwan em maio de 2026.
Santiago Peña, então presidente do Paraguai, durante visita oficial a Taiwan em maio de 2026.Foto: 總統府 (Oficina Presidencial de Taiwán)/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

O Ministerio Público (Ministério Público) do Paraguai ordenou a detenção do ex-presidente Santiago Peña poucas horas depois de o Senado tê-lo destituído, na sexta-feira, 6 de novembro, pelo colapso do Ueno Bank. A Polícia o deteve em sua residência, onde ficou sob custódia à espera de que um juiz penal de garantias defina onde ele cumprirá a medida durante o processo.

A resolução fiscal nº 7

A ordem consta da Resolución Fiscal de Detención nº 7, datada de 6 de novembro de 2026, no processo penal 92/2026, por "lesión de confianza y otros" (quebra de confiança e outros crimes), segundo o comunicado do próprio Ministerio Público. O promotor Cristian Benítez, que descreveu o caso como "um caso difícil", disse que Peña deve permanecer "detenido en su domicilio" até ser entregue à Unidad Especializada de Delitos Económicos y Anticorrupción, a unidade antifraude da promotoria paraguaia.

Na mesma decisão, a promotoria ordenou a detenção de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-funcionário do Banco Central del Paraguay, que ficará recolhido em local designado pelo comando da Polícia Nacional.

Um impeachment de dois dias

O Senado aprovou a destituição por mau desempenho de funções com 44 votos favoráveis, ao fim de um processo que durou dois dias. A denúncia reunia quatro acusações: conflito de interesses, manipulação da supervisão regulatória, desvio de fundos previdenciários e acobertamento institucional junto ao Banco Central — a única que Peña rejeitou expressamente.

Na quinta-feira, depois de perder o apoio do próprio partido, Peña havia apresentado a renúncia, que nunca foi formalmente aceita. Sua defesa pediu mais prazo para se manifestar, o Senado negou, e seus assessores denunciaram uma "violación al debido proceso" (violação do devido processo legal).

A destituição tem um efeito que vai além do cargo: fecha-lhe o caminho para a cadeira de senador vitalício, que viria acompanhada de imunidade parlamentar. Sobre ele já pesam processos abertos pela promotoria.

Um banco com três milhões de clientes

O Ueno Bank fechou as portas na terça-feira, depois de o Banco Central decidir intervir na instituição. O banco administrava cerca de 850 milhões de dólares em depósitos públicos — entre eles recursos do Instituto de Previsión Social (IPS), o instituto de previdência paraguaio — e tinha cerca de três milhões de clientes.

A deputada de oposição Rocío Vallejo estimou as perdas em 1,2 bilhão de dólares e advertiu que a conta segue crescendo. O presidente do Banco Central pediu demissão. Oito executivos do banco, com ordem de prisão, foram levados na sexta-feira a uma das principais penitenciárias do país para aguardar julgamento.

As buscas na casa do dono do banco resultaram na apreensão de nove veículos de luxo, avaliados em cerca de 1,4 milhão de dólares, além de um iate e um avião.

Alliana completa o mandato

O vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, assumiu a Presidência para completar o período até 2028. O calendário explica parte da pressa do Senado: a destituição, além de afastá-lo do cargo, deixa Peña sem a imunidade que o acompanharia como senador vitalício justamente quando a promotoria avança sobre o caso Ueno.

Com informações de okdiario, SinEmbargo, La Nación e Infobae.