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ONU aprova correção do mapa-múndi que encolhia a África e a América do Sul desde o século 16

Proposta liderada pelo Togo passou com 164 votos a favor; só os Estados Unidos votaram contra

Mapa-múndi na projeção Equal Earth, com imagens de satélite da Nasa
Mapa-múndi na projeção Equal Earth, com imagens de satélite da NasaImagem: Strebe/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu nesta sexta-feira (4) corrigir uma distorção que atravessou quase cinco séculos: nos mapas-múndi mais usados no mundo, a África, a América do Sul e o Sul da Ásia aparecem menores do que são.

A proposta, intitulada "Corrija o mapa", foi liderada pelo Togo ao lado de outros países africanos. Foram 164 votos a favor, seis abstenções e um voto contrário — o dos Estados Unidos.

De onde vem a distorção

A projeção de Mercator, concebida em 1569, foi feita para navegação: ela preserva ângulos, o que serve a quem traça rota, e distorce áreas, o que não importava a bordo. O problema é que virou padrão em material escolar, jornalístico, digital e oficial.

O efeito é sistemático: massas de terra distantes da linha do Equador aparecem ampliadas, e as próximas dela, encolhidas. Como África, América do Sul e Sul da Ásia estão majoritariamente na faixa equatorial, o mapa que boa parte do mundo tem na cabeça as diminui.

Para os países africanos, isso perpetuou "uma visão desequilibrada do mundo".

O que dizem os proponentes

"A aprovação envia a mensagem de que a Assembleia Geral acredita na verdade científica", disse o ministro das Relações Estrangeiras do Togo, Robert Dussey, antes da votação. Para ele, a decisão reforça a equidade de representação e a dignidade dos povos — e não se trata apenas de corrigir um mapa, mas de corrigir a percepção.

O texto aprovado sustenta que a correção proporciona "justiça cognitiva e reparação memorial".

A projeção proposta

A União Africana apresentou o modelo "Terra Igual" como a projeção que representaria com mais precisão as dimensões de todos os continentes. A ONU espera que a resolução estimule governos, organizações internacionais e outras entidades a adotá-la.

O argumento da União Africana é que mapas são ferramenta educacional, científica e cultural que "molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos", e que as distorções têm impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos.

A ONU lembrou ainda que o Pacto para o Futuro, aprovado pelos Estados-membros em 2024, enfatizou a necessidade de eliminar vestígios de desigualdades históricas e estruturais.


Com informações da Agência Brasil. Reportagem original de Luiz Claudio Ferreira, publicada em 5 de setembro de 2026.