O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, cancelou a viagem que faria na próxima semana a Nova York para a Assembleia Geral da ONU. Segundo uma fonte do governo ouvida pela Reuters, "sua presença é necessária em Berlim". A decisão veio em meio à maior crise interna da União Democrata-Cristã (CDU) desde que Merz assumiu o governo, em 2025.
Nesta quarta-feira (16), oito ministros-presidentes da CDU — os chefes de governo dos estados — divulgaram uma declaração conjunta pedindo unidade e se colocando ao lado do chanceler. "As pessoas podem confiar que vamos resolver os seus problemas", diz o texto, segundo o portal t-online.
O que provocou a crise
O estopim foi a eleição estadual de 6 de setembro em Saxônia-Anhalt, no leste do país. A CDU caiu para 17,2%, perda de quase 20 pontos percentuais, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, chegou a 43,8% e ficou perto da maioria absoluta.
Nas pesquisas nacionais o quadro também piorou. Na sondagem mais recente do instituto YouGov, CDU e CSU somam 18%, o menor índice já registrado pelo levantamento, contra 29% da AfD. Na eleição federal de 2025, a União teve 28,6%.
Quem assinou e o que defendem
A declaração leva as assinaturas de Daniel Günther (Schleswig-Holstein), Boris Rhein (Hesse), Sven Schulze (Saxônia-Anhalt), Kai Wegner (Berlim), Michael Kretschmer (Saxônia), Gordon Schnieder (Renânia-Palatinado), Mario Voigt (Turíngia) e Hendrik Wüst (Renânia do Norte-Vestfália).
O texto rejeita governos de minoria, reafirma o "cordão sanitário" contra a AfD — a recusa de qualquer cooperação com o partido — e diz que o caminho para recuperar a confiança passa "por ouvir e agir politicamente, não por debates sobre nomes", de acordo com o site alemão Newsworm. A ala trabalhista da CDU, por outro lado, afirmou que a estratégia do chanceler fracassou.
Merz nega que pense em deixar o cargo antes do fim do mandato. "Fui eleito por quatro anos", disse, segundo a Reuters.
Próximo teste no domingo
No domingo (20), há eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Em Berlim, governada por Kai Wegner, a CDU aparece empatada na liderança com A Esquerda, com cerca de 20%. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, pesquisa do instituto Insa mostra a AfD com 37%, o SPD com 35% e a CDU com apenas 7%.
Um novo tropeço nas duas votações tende a reabrir a discussão sobre a liderança do chanceler, que a declaração dos governadores tenta encerrar.
Com informações de Reuters, t-online e Newsworm.



