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Pressionado após derrota para a AfD, Merz cancela ida à ONU e recebe apoio dos governadores da CDU

Oito chefes de governo estaduais do partido do chanceler assinaram declaração pela unidade; a CDU caiu para 17,2% em Saxônia-Anhalt, onde a extrema direita chegou a 43,8%

Friedrich Merz na cerimônia do Prêmio Carlos Magno, em Aachen, em maio de 2026
Friedrich Merz na cerimônia do Prêmio Carlos Magno, em Aachen, em maio de 2026Foto: Grunpfnul/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, cancelou a viagem que faria na próxima semana a Nova York para a Assembleia Geral da ONU. Segundo uma fonte do governo ouvida pela Reuters, "sua presença é necessária em Berlim". A decisão veio em meio à maior crise interna da União Democrata-Cristã (CDU) desde que Merz assumiu o governo, em 2025.

Nesta quarta-feira (16), oito ministros-presidentes da CDU — os chefes de governo dos estados — divulgaram uma declaração conjunta pedindo unidade e se colocando ao lado do chanceler. "As pessoas podem confiar que vamos resolver os seus problemas", diz o texto, segundo o portal t-online.

O que provocou a crise

O estopim foi a eleição estadual de 6 de setembro em Saxônia-Anhalt, no leste do país. A CDU caiu para 17,2%, perda de quase 20 pontos percentuais, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, chegou a 43,8% e ficou perto da maioria absoluta.

Nas pesquisas nacionais o quadro também piorou. Na sondagem mais recente do instituto YouGov, CDU e CSU somam 18%, o menor índice já registrado pelo levantamento, contra 29% da AfD. Na eleição federal de 2025, a União teve 28,6%.

Quem assinou e o que defendem

A declaração leva as assinaturas de Daniel Günther (Schleswig-Holstein), Boris Rhein (Hesse), Sven Schulze (Saxônia-Anhalt), Kai Wegner (Berlim), Michael Kretschmer (Saxônia), Gordon Schnieder (Renânia-Palatinado), Mario Voigt (Turíngia) e Hendrik Wüst (Renânia do Norte-Vestfália).

O texto rejeita governos de minoria, reafirma o "cordão sanitário" contra a AfD — a recusa de qualquer cooperação com o partido — e diz que o caminho para recuperar a confiança passa "por ouvir e agir politicamente, não por debates sobre nomes", de acordo com o site alemão Newsworm. A ala trabalhista da CDU, por outro lado, afirmou que a estratégia do chanceler fracassou.

Merz nega que pense em deixar o cargo antes do fim do mandato. "Fui eleito por quatro anos", disse, segundo a Reuters.

Próximo teste no domingo

No domingo (20), há eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Em Berlim, governada por Kai Wegner, a CDU aparece empatada na liderança com A Esquerda, com cerca de 20%. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, pesquisa do instituto Insa mostra a AfD com 37%, o SPD com 35% e a CDU com apenas 7%.

Um novo tropeço nas duas votações tende a reabrir a discussão sobre a liderança do chanceler, que a declaração dos governadores tenta encerrar.

Com informações de Reuters, t-online e Newsworm.