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Rússia Unida fica com 57,86% na eleição para a Duma, encerrada sob o maior ataque de drones a Moscou desde 2022

Com 90,43% das urnas apuradas, o partido de Putin lidera com folga e deve manter a maioria de dois terços; o comparecimento ficou pouco abaixo de 57%.

Por Redação RecortNews
O prédio da Duma de Estado, a câmara baixa do Parlamento russo, em Moscou.
O prédio da Duma de Estado, a câmara baixa do Parlamento russo, em Moscou.Foto: Юрий Д.К./Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A Rússia Unida, partido que sustenta Vladimir Putin, ficou com 57,86% dos votos na eleição para a Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, segundo a apuração divulgada nesta segunda-feira (21) com 90,43% das urnas contabilizadas. Foi a primeira eleição legislativa realizada desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e a votação de três dias terminou no domingo (20) sob o maior ataque de drones ucranianos contra Moscou desde o começo da guerra.

O resultado

Atrás da Rússia Unida aparecem o Partido Comunista, com 13,84%, o LDPR, de perfil nacionalista, com 8,9%, o Novo Povo, com 7,94%, e a Rússia Justa, com 4,95% — este último rente à cláusula de barreira russa, de 5% para a distribuição das cadeiras de lista.

O comparecimento ficou pouco abaixo de 57%, e mais de 3,6 milhões de eleitores votaram pela internet. Estão em disputa as 450 cadeiras da Duma: metade é distribuída pelas listas partidárias, e a Rússia Unida deve ficar com 225 deputados por essa via, além das cadeiras que conquistar nos distritos de voto majoritário. Com isso, segundo a Euronews, o partido tende a preservar a maioria de dois terços — a margem que permite aprovar emendas à Constituição sem negociar com a oposição.

Quem não estava na cédula

Semanas antes do pleito, a Suprema Corte russa barrou o Yabloko, de perfil contrário à guerra, e nenhum partido que se oponha à invasão chegou à cédula. O líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, anulou deliberadamente o próprio voto. Dois quadros graduados da legenda foram condenados a longas penas de prisão antes da votação por declarações sobre a guerra.

Houve votação também nos territórios ucranianos que a Rússia afirma ter anexado. A Ucrânia classificou a eleição como ilegal, e Moscou acusou Kiev de tentativas de sabotagem.

Mil ondas de ataques cibernéticos

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, relatou "mais de mil ondas de ataques DDoS" contra a infraestrutura da votação, atribuídas por ela a "grupos altamente profissionais e bem coordenados, que usam ferramentas de inteligência artificial". Pamfilova não apontou responsáveis. Segundo a Euronews, sabotadores também cortaram linhas de comunicação no extremo leste do país.

O ataque a Moscou

No domingo, último dia de votação, a Ucrânia lançou cerca de 1.600 drones contra a Rússia, 450 deles sobre a capital — o maior ataque a Moscou desde fevereiro de 2022. Uma refinaria pegou fogo. A Al Jazeera contabilizou três mortes na região de Moscou, duas em Kherson sob controle russo, entre elas a de um funcionário eleitoral, e uma na região de Briansk já na segunda-feira.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que "as nossas respostas de longo alcance tiveram um impacto muito significativo na região de Moscou na noite passada". O Ministério da Defesa da Rússia prometeu "continuar e intensificar ataques de alta precisão contra alvos militares em Kiev".

O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, disse que o ataque tinha como objetivo atrapalhar a eleição.

Uma leitura do número

O centro de estudos NEST avalia que parte dos votos dados ao Partido Comunista e ao Novo Povo pode funcionar como "protesto silencioso" num momento de aperto econômico, à medida que "as consequências da guerra são cada vez mais sentidas". É uma hipótese de analistas, não um dado da apuração: nas duas legendas, o discurso público não rompe com a linha do Kremlin sobre a guerra.

Com informações de Al Jazeera, Euronews e Meduza.