Tifanny Abreu está fora das competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Duas decisões tomadas nesta sexta-feira (23) encerraram, por ora, a permissão judicial que permitia à jogadora de 41 anos atuar pelo Osasco São Cristóvão Saúde na temporada 2026/2027.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol (STJD do Voleibol) rejeitou, por unanimidade, o mandado de garantia nº 002/2026 apresentado pela atleta. No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) suspendeu a liminar que a 44ª Vara Cível do Rio havia concedido em 16 de outubro — e que era o que a mantinha em quadra. Segundo o relator, a urgência ligada ao calendário esportivo não bastava, por si só, para contornar a exigência constitucional de que disputas desportivas passem primeiro pela justiça desportiva.
O efeito prático é imediato: o Osasco joga neste sábado (24), às 16h de Brasília, contra o Batavo Mackenzie, em Belo Horizonte, pela segunda rodada da Superliga Feminina, sem a jogadora.
O que estava em discussão
A inscrição de Tifanny para a temporada ficou pendente depois que a CBV aprovou sua nova política de elegibilidade. Em agosto, a confederação anunciou que passaria a adotar os critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a participação de atletas trans na categoria feminina. Pela regra, a atleta precisa apresentar resultado negativo em teste genético para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino.
Com a inscrição travada, a defesa recorreu primeiro à justiça desportiva e depois ao Judiciário comum. A liminar de 16 de outubro destravou a situação por uma semana: Tifanny jogou a Supercopa Feminina, disputada em São Luís e ganha pelo Osasco sobre o Praia Clube, e a estreia do time na Superliga, na segunda-feira, contra o Brasília BRB — partida que ocorreu depois de o STJD adiar o julgamento.
O que diz a CBV
A confederação afirmou que "cumpriu integralmente a decisão anterior", quando a liminar vigorava, e que seguirá cumprindo as determinações da justiça comum e da desportiva. Sobre o mérito, sustenta que sua política de elegibilidade é "uma norma geral, aplicável igualmente a todas", alinhada aos critérios do COI e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), e diz manter "seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas".
Próximos passos
A defesa de Tifanny pretende recorrer e pedir nova avaliação ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, segundo o Globo Esporte. Até que haja decisão nesse sentido, a atleta — que disputa a Superliga desde 2017 e está na sexta temporada em Osasco — permanece impedida de atuar nas competições da CBV.
Com informações de CNN Brasil, Terra, Olimpíada Todo Dia e Globo Esporte.




