A Volkswagen vai recolher 2,86 milhões de veículos em todo o mundo por causa de um parafuso que fixa a caixa de direção e pode corroer até falhar. O anúncio foi feito na sexta-feira, 25 de setembro, e envolve carros das marcas Volkswagen e Audi fabricados ao longo de mais de uma década.
Segundo a Audi, a peça pode se degradar quando a umidade se combina com o sal usado para desobstruir estradas no inverno. Depois de alguns anos de exposição, a falha do parafuso pode comprometer o sistema de direção e, no limite, provocar perda de controle — um risco que a fabricante trata como precaucional, sem caso confirmado.
Quais carros entram
O recall se divide entre as duas marcas:
- Volkswagen: cerca de 2,16 milhões de unidades no mundo, sendo aproximadamente 900 mil na Alemanha. Os modelos são o Golf, o Golf Variant, o Tiguan, o Touran e o Caddy, fabricados entre 24 de setembro de 2013 e 1º de julho de 2024.
- Audi: mais de 696 mil unidades, sendo 58.555 na Alemanha. Só o Q3 está na lista, em unidades produzidas entre 31 de outubro de 2017 e 23 de maio de 2024.
A lista de modelos não é igual em todos os mercados. Nos Estados Unidos, onde o recall alcança mais de 208 mil veículos, a convocação cobre o Volkswagen Tiguan 2018, o Volkswagen Atlas 2018 e 2019 e o Audi Q3 de 2019 a 2021 — o Atlas, que não é vendido na Europa, aparece ali e não na lista alemã.
O que pode dar errado
A descrição técnica é mais específica que "problema na direção". O parafuso em questão fixa a caixa de direção à estrutura do veículo — no detalhamento apresentado à agência americana NHTSA, trata-se do parafuso do lado direito, preso ao subquadro.
A corrosão prematura dessa peça, diz a agência, cria risco de perda do controle da direção sobretudo em manobras de baixa velocidade, como estacionar. É um detalhe que muda a leitura do risco: o cenário mais provável não é a falha em rodovia, e sim no momento em que o motorista força o volante parado ou quase parado.
A Audi afirma ter identificado o problema em inspeções internas e classifica a convocação como preventiva.
O que dizem os reguladores
Na Alemanha, o KBA — a autoridade federal de trânsito, que supervisiona recalls no país — mantém o caso marcado como "em investigação", o que significa que a avaliação final ainda não saiu. O órgão registra que, até agora, "não há incidentes conhecidos com danos a pessoas ou bens".
Como é o reparo
Oficinas autorizadas das duas marcas vão substituir o parafuso por uma versão mais resistente à corrosão, sem custo para o proprietário. A Audi estima até uma hora de serviço por veículo. Donos podem confirmar se o carro está incluído informando o número de identificação do veículo (o chassi) à rede autorizada.
Pelo volume, o caso entra entre os maiores recalls do ano na indústria automotiva — e o intervalo de fabricação, de quase 11 anos em algumas linhas, é o que explica a escala: a peça atravessou várias gerações dos modelos mais vendidos do grupo na Europa.
Com informações da Euronews, da Associated Press, do KBA e da NHTSA.




