O governo argentino entregou à Cámara de Diputados (a Câmara dos Deputados) o projeto de Orçamento 2027, que valerá no ano da próxima eleição presidencial. O texto, preparado pelo Ministerio de Economía (Ministério da Economia), chefiado por Luis Caputo, chegou ao Congresso em 16 de setembro de 2026, dentro do prazo legal.
Os números centrais
O projeto se apoia em um cenário de desaceleração dos preços e aceleração da atividade:
- Crescimento do PIB: 4% em 2027, ante estimativa de cerca de 3% para 2026.
- Inflação: 18% em 12 meses até dezembro de 2027 (21,1% na média anual), depois de 29% previstos para dezembro de 2026.
- Câmbio: ARS 1.847,6 por dólar no fim de 2027 (média de ARS 1.728), ante ARS 1.600 no fim de 2026.
- Salários: reajuste nominal médio de 25,4%.
- Resultado fiscal: superávit primário de 1,3% do PIB e superávit financeiro de 0,2%, iguais aos previstos para 2026. Seria o quarto ano consecutivo de superávit.
- Comércio exterior: saldo positivo de cerca de US$ 15,56 bilhões, pouco abaixo dos US$ 16,95 bilhões estimados para este ano.
Segundo o jornal El Economista, o projeto estima receitas de cerca de ARS 219,3 trilhões e despesas de ARS 216 trilhões. Por setor, prevê alta de 5,1% no comércio e de 4,4% na indústria, enquanto o agro avançaria só 0,9%.
O dólar, "não uma previsão"
O número do câmbio foi o mais comentado. O governo esclareceu que os ARS 1.847 por dólar não são uma projeção, mas um valor que decorre da relação entre a cotação e a inflação projetada. Na prática, a trajetória implica que o peso se desvalorizaria menos que o ritmo dos preços.
A atividade deste ano também foi revista: segundo o El Economista, a estimativa de crescimento de 2026 caiu para uma faixa de 2,3% a 3%, longe dos 5,4% previstos inicialmente.
Debate no Congresso
Caputo havia antecipado as principais variáveis à mesa política do governo na Casa Rosada (sede do governo argentino). A defesa técnica na Comissão de Orçamento da Câmara ficará com o secretário da Fazenda, Carlos Guberman, e o secretário de Finanças, Federico Furiase, a partir de 7 de outubro.
A oposição reagiu com críticas. O deputado Itaí Hagman (Fuerza Patria) disse que o texto é "uma boa amostra desses quatro anos", e parlamentares como Esteban Paulón e Juan Marino questionaram as mudanças que o projeto faz nos benefícios para pessoas com deficiência.
Com informações de Infobae, El Economista e La Nación.


