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Economia

Argentina apresenta Orçamento 2027 com crescimento de 4% e inflação de 18%

Projeto do Ministério da Economia prevê superávit primário de 1,3% do PIB e dólar a ARS 1.847,6 em dezembro de 2027; Câmara começa a debater em outubro

O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, em anúncio na Casa Rosada, em 26 de janeiro de 2024
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, em anúncio na Casa Rosada, em 26 de janeiro de 2024Foto: Governo da Argentina/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

O governo argentino entregou à Cámara de Diputados (a Câmara dos Deputados) o projeto de Orçamento 2027, que valerá no ano da próxima eleição presidencial. O texto, preparado pelo Ministerio de Economía (Ministério da Economia), chefiado por Luis Caputo, chegou ao Congresso em 16 de setembro de 2026, dentro do prazo legal.

Os números centrais

O projeto se apoia em um cenário de desaceleração dos preços e aceleração da atividade:

  • Crescimento do PIB: 4% em 2027, ante estimativa de cerca de 3% para 2026.
  • Inflação: 18% em 12 meses até dezembro de 2027 (21,1% na média anual), depois de 29% previstos para dezembro de 2026.
  • Câmbio: ARS 1.847,6 por dólar no fim de 2027 (média de ARS 1.728), ante ARS 1.600 no fim de 2026.
  • Salários: reajuste nominal médio de 25,4%.
  • Resultado fiscal: superávit primário de 1,3% do PIB e superávit financeiro de 0,2%, iguais aos previstos para 2026. Seria o quarto ano consecutivo de superávit.
  • Comércio exterior: saldo positivo de cerca de US$ 15,56 bilhões, pouco abaixo dos US$ 16,95 bilhões estimados para este ano.

Segundo o jornal El Economista, o projeto estima receitas de cerca de ARS 219,3 trilhões e despesas de ARS 216 trilhões. Por setor, prevê alta de 5,1% no comércio e de 4,4% na indústria, enquanto o agro avançaria só 0,9%.

O dólar, "não uma previsão"

O número do câmbio foi o mais comentado. O governo esclareceu que os ARS 1.847 por dólar não são uma projeção, mas um valor que decorre da relação entre a cotação e a inflação projetada. Na prática, a trajetória implica que o peso se desvalorizaria menos que o ritmo dos preços.

A atividade deste ano também foi revista: segundo o El Economista, a estimativa de crescimento de 2026 caiu para uma faixa de 2,3% a 3%, longe dos 5,4% previstos inicialmente.

Debate no Congresso

Caputo havia antecipado as principais variáveis à mesa política do governo na Casa Rosada (sede do governo argentino). A defesa técnica na Comissão de Orçamento da Câmara ficará com o secretário da Fazenda, Carlos Guberman, e o secretário de Finanças, Federico Furiase, a partir de 7 de outubro.

A oposição reagiu com críticas. O deputado Itaí Hagman (Fuerza Patria) disse que o texto é "uma boa amostra desses quatro anos", e parlamentares como Esteban Paulón e Juan Marino questionaram as mudanças que o projeto faz nos benefícios para pessoas com deficiência.

Com informações de Infobae, El Economista e La Nación.