Pular para o conteúdo
RecortNews
Economia

Kospi aciona circuit breaker e fecha em queda de 6%, e o Nikkei perde a marca dos 60 mil pontos na pior sessão asiática desde abril de 2025

O índice sul-coreano caiu até 8,8% no intradiário e fechou a 5.059,69 pontos; o Nikkei 225 recuou 5,96%, a 57.434,77, e o Taiex entrou em mercado de baixa

Por Redação RecortNews
O interior da Bolsa de Valores de Tóquio, em dezembro de 2025. O Nikkei 225 fechou esta sexta-feira em queda de 5,96%.
O interior da Bolsa de Valores de Tóquio, em dezembro de 2025. O Nikkei 225 fechou esta sexta-feira em queda de 5,96%.Foto: Syced/Wikimedia Commons, CC0

As bolsas asiáticas fecharam nesta sexta-feira, 6 de novembro, o pior dia em mais de um ano e meio. A liquidação de ações ligadas à inteligência artificial, que na véspera derrubou o Nasdaq em mais de 5,5%, chegou à Ásia com força maior do que teve nos Estados Unidos e obrigou dois governos a intervir no meio da sessão.

O índice MSCI Ásia-Pacífico caiu 3,8%. Nenhuma das grandes praças da região escapou, e as que mais perderam foram justamente as três economias que produzem os chips do ciclo de IA: Coreia do Sul, Japão e Taiwan.

Seul: circuit breaker e a perda dos 5 mil pontos

O Kospi chegou a cair 8,8% no intradiário, perdeu a marca dos 5 mil pontos e disparou o circuit breaker de nível 1, que suspende temporariamente as negociações. Depois da pausa, recuperou parte do terreno e fechou a 5.059,69 pontos, queda de 324,11 pontos, ou 6,02%.

O Kosdaq, índice das empresas de menor porte, caiu 5,03%, a 644,27 pontos, e acionou no início da sessão um sidecar de venda — mecanismo que trava temporariamente as ordens de venda programada. Ali, investidores pessoa física venderam 110,4 bilhões de wones líquidos e estrangeiros, 100 bilhões, enquanto investidores institucionais compraram 205,6 bilhões.

Samsung Electronics e SK Hynix, as duas maiores fabricantes de memória do mundo, recuaram mais de 5% cada uma.

Tóquio abaixo dos 60 mil

O Nikkei 225 caiu 3.643,13 pontos, ou 5,96%, e fechou a 57.434,77 — perdendo a marca dos 60 mil pontos, segundo registrou a Bloomberg. Foi a maior queda diária do índice desde abril de 2025.

O movimento foi igualmente largo no mercado japonês: o Topix recuou 5,90%, a 3.707,99 pontos; o índice Nikkei de semicondutores perdeu 5,94%, a 16.731,46; e o segmento de crescimento da bolsa de Tóquio, o TSE Growth Market 250, caiu 5,63%.

Taiwan entra em mercado de baixa

O Taiex caiu 1.873,08 pontos, ou 4,51%, e fechou a 39.701,64 — abaixo dos 40 mil pontos pela primeira vez na semana, vindo de 41.574,72 na sessão anterior. Foi o quinto recuo consecutivo, de 2 a 6 de novembro, e com ele o índice taiwanês entrou tecnicamente em mercado de baixa.

A China continental e Hong Kong sentiram menos. O Xangai Composto caiu 1,10%, a 3.649,18 pontos; o Componente de Shenzhen recuou 2,57%, a 11.175,78; o ChiNext perdeu 3,96%; e o Hang Seng cedeu 1,27%, a 24.481,86 pontos, um dia depois de ter subido 3,67%.

Governos entram em campo

A Coreia do Sul suspendeu temporariamente a regra que obriga corretoras a manter garantias equivalentes a pelo menos 140% dos empréstimos de margem — medida destinada justamente a frear a venda forçada de posições alavancadas. Em Taiwan, o regulador financeiro era esperado para anunciar medidas de estabilização. Depois dos relatos de apoio oficial, as ações da região reduziram parte das perdas, e os futuros do Nasdaq 100 passaram a subir 0,8%.

O pano de fundo é o repique da aposta em inteligência artificial. O índice de semicondutores da Filadélfia acumulava queda de quase 16% na semana, caminho para o pior desempenho semanal desde abril de 2025. Na quinta-feira, o Nasdaq entrou em território de correção e a Nvidia perdeu mais de 9%.

Há um detalhe que distingue esta queda das anteriores do ano: ela não veio acompanhada de fuga para ativos de risco em geral. O rendimento do título chinês de dez anos caiu para a mínima intradiária histórica, o dólar se fortaleceu contra todas as moedas do G10 e o petróleo Brent subiu 1,4%, a US$ 99,70 o barril. Ou seja, o dinheiro saiu de um tema específico — a infraestrutura de IA — e não do mercado.

Com informações do portal sul-coreano NEWSTOP, do balanço de mercado da FinancialJuice baseado em dados da Bloomberg, de reportagens da Bloomberg e do Nikkei Asia e da compilação de mercado do 10 Things.