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Economia

Produção industrial cai 0,8% em setembro, a quarta queda em cinco meses, e recua 2,5% em um ano

Resultado ficou abaixo da mediana do mercado, de -0,4%, e 17 das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram perdas

Por Redação RecortNews
A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), ao fundo, vista de um bairro do município fluminense, em 2018. O segmento de coque e derivados de petróleo teve o maior impacto negativo na indústria em setembro de 2026.
A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), ao fundo, vista de um bairro do município fluminense, em 2018. O segmento de coque e derivados de petróleo teve o maior impacto negativo na indústria em setembro de 2026.Foto: Filipo Tardim/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A indústria brasileira produziu 0,8% menos em setembro do que em agosto, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (5). É a quarta queda nos últimos cinco meses e um resultado pior do que a mediana das projeções de mercado, que apontava recuo de 0,4%.

Na comparação com setembro de 2025, a produção caiu 2,5% — a maior retração nessa base desde março de 2024, quando o indicador recuou 2,9%. O IBGE atribui parte da diferença a um dia útil a menos no mês e a uma base elevada: em setembro do ano passado, a indústria havia crescido 2%.

Perdas espalhadas pelo parque industrial

O que chama atenção no resultado não é só o tamanho da queda, mas o quanto ela se espalhou. Das 25 atividades pesquisadas, 17 recuaram. Entre as quatro grandes categorias econômicas, três ficaram no vermelho:

  • bens de capital: -1,9%
  • bens de consumo semi e não duráveis: -1,2%
  • bens intermediários: -0,7%
  • bens de consumo duráveis: +0,7%, a única alta

O maior impacto negativo veio de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com baixa de 4,2%. A fabricação de produtos alimentícios caiu 1,7%, puxada pela menor produção de etanol e açúcar, que o instituto associa à redução no processamento da cana-de-açúcar depois de chuvas mais intensas. Veículos automotores, reboques e carrocerias recuaram 1,2%.

Do lado positivo, as indústrias extrativas subiram 1,7%, com mais extração de petróleo, gás natural e minério de ferro, e foram o principal contrapeso do mês. Produtos químicos também avançaram 1,7%, e a fabricação de produtos do fumo teve alta de 20,3%.

Para o analista do IBGE André Macedo, o mês apresentou um "perfil disseminado de taxas negativas", num movimento que vem junto de uma "clara redução na magnitude de crescimento" da indústria ao longo de 2026.

O ano ainda é positivo, o semestre não

A sequência recente ajuda a entender o que mudou. Depois de quatro meses de ganhos no início do ano, a indústria caiu 1% em maio, 1,6% em junho, ficou estável em julho, recuou 0,7% em agosto e 0,8% em setembro. Somadas, essas perdas chegam a 4,1% em cinco meses e já consomem boa parte da alta acumulada no primeiro quadrimestre.

O terceiro trimestre fechou 1,4% abaixo do mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a indústria ainda registra alta de 0,4%; em 12 meses, de 0,2%. O nível de produção segue 16,5% abaixo do pico da série, alcançado em maio de 2011.

Com informações do IBGE, do Imirante e do Metrópoles.