A ABB comunicou em 5 de novembro que o SoftBank a informou de uma decisão do governo chinês: a compra do negócio de robótica da companhia suíça na China está proibida. A medida partiu do Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimento Estrangeiro, o órgão que examina aquisições estrangeiras no país sob o critério de segurança nacional.
O comunicado da ABB não trata a decisão como o fim do contrato. "A ABB e o SoftBank estão em diálogo próximo e trabalham de forma construtiva na transação", diz o texto da empresa, que acrescenta que a operação continua sujeita a aprovações regulatórias e às condições usuais de fechamento, e que o processo de autorizações é conduzido pelo SoftBank. Nenhuma das duas empresas detalhou os motivos da recusa.
Um contrato de US$ 5,375 bilhões
O negócio foi anunciado em 8 de outubro de 2025, com valor de empresa de US$ 5,375 bilhões. Ele substituiu um plano anterior da ABB, que pretendia separar a robótica e listá-la como companhia independente na bolsa.
Pelos números divulgados pela própria ABB na época:
- a divisão de robótica tem cerca de 7 mil funcionários;
- faturou US$ 2,3 bilhões em 2024, aproximadamente 7% da receita do grupo;
- a venda deve gerar um ganho contábil antes de impostos de cerca de US$ 2,4 bilhões, reconhecido no fechamento;
- a conclusão estava prevista para meados ou o fim de 2026.
"O SoftBank será um excelente novo lar para o negócio e seus funcionários", disse na ocasião Morten Wierod, presidente-executivo da ABB. Masayoshi Son, presidente do conselho do SoftBank, resumiu a compra em uma frase: "A próxima fronteira do SoftBank é a IA física."
Por que a China é o ponto sensível
A China não é um mercado qualquer para a robótica da ABB: é o maior deles. Cerca de 90% das máquinas entregues a clientes chineses são fabricadas localmente, e a sede global da divisão de robótica fica em Xangai, onde a ABB também mantém centro de pesquisa, desenvolvimento e produção. Barrar a aquisição justamente dessa operação atinge o núcleo industrial do negócio, não uma subsidiária periférica.
O argumento dos dados
O Financial Times informou que a recusa está ligada ao temor de que dados de robótica gerados na China saiam do país e sirvam para treinar modelos estrangeiros de inteligência artificial — entre eles os da OpenAI, da qual o SoftBank é investidor. Antes dessa decisão, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão de planejamento do Estado chinês, já havia examinado a operação. Trata-se do raciocínio regulatório relatado pela imprensa, não de constatação de que ABB ou SoftBank tenham exportado dados indevidamente.
A operação mostra onde está hoje o filtro decisivo para uma compra transfronteiriça em tecnologia estratégica: não o controle de concentração econômica, que avalia preço e concorrência, mas a revisão de segurança, que avalia para onde vão os dados. Para o SoftBank, que montou sua tese de investimento em torno de robôs industriais como porta de entrada da "IA física", o veto deixa de fora o mercado em que esses robôs mais trabalham.
Com informações dos comunicados da ABB de 8 de outubro de 2025 e de 5 de novembro de 2026 e do Eurasia Business News, que cita reportagem do Financial Times.




