O Banco do Japão elevou na sexta-feira, 18, a meta para a taxa de juros overnight sem garantia de 1% para 1,25% ao ano. É o maior patamar da taxa básica japonesa desde 1995 — 31 anos atrás — e o mais recente passo do banco central que passou quase três décadas ancorado em juro zero ou negativo.
A decisão foi tomada por 7 votos a 2, segundo o comunicado publicado pelo próprio banco ao fim da reunião de política monetária.
Quem votou contra, e por quê
Os dois votos dissidentes vieram de membros que consideram o aperto prematuro.
- Toichiro Asada argumentou que o índice de preços ao consumidor segue abaixo de 2% e que a solidez da economia ainda é incerta, e defendeu manter a diretriz anterior.
- Ayano Sato sustentou que os dados recentes de atividade e de preços não aceleraram o bastante para justificar uma alta agora.
Um placar de 7 a 2 é incomum para um banco central que historicamente busca decisões próximas da unanimidade, e sinaliza que o ritmo das próximas altas está longe de decidido dentro do conselho.
O que o banco diz ver
No comunicado, o Banco do Japão descreve uma economia em recuperação moderada, "com alguma fraqueza", e atribui parte dessa fraqueza aos efeitos da crise no Oriente Médio. Sobre preços, avalia que a inflação subjacente está "se aproximando de 2%" e que as expectativas de inflação de médio e longo prazo continuaram a subir — com risco de alta de que o índice supere a meta.
A inflação ao consumidor no núcleo ficou perto dos 2% em agosto, segundo a Al Jazeera, com empresas repassando custos mais altos em uma faixa ampla de alimentos e itens de mercado, pressionadas por energia, cadeias globais e fatores domésticos.
Há também um componente estrutural. O diretor-executivo do banco Koji Nakamura descreveu a situação japonesa como um "choque demográfico lento": uma força de trabalho que encolhe e empurra os salários para cima — pressão que não se dissipa sozinha quando a energia para de subir.
Onde isso coloca o Japão
Mesmo em 1,25%, o juro japonês continua muito abaixo do de seus pares: o Banco Central Europeu está em 2,5%. A diferença é o que sustenta o carry trade — tomar emprestado em iene barato para aplicar em moedas de juro alto —, uma engrenagem que move capital para mercados emergentes, o Brasil entre eles. Cada alta japonesa encarece essa ponta e muda, na margem, o cálculo de quem opera esse fluxo.
A coletiva do presidente do banco, Kazuo Ueda, após a reunião era o ponto mais observado pelo mercado, à procura de pistas sobre quando e em que ritmo virão as próximas altas.
Com informações do comunicado de política monetária do Banco do Japão (18 de setembro de 2026) e da Al Jazeera.


