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Economia

BCE liga o Pontes e passa a liquidar ativos tokenizados em moeda de banco central

Sistema entrou no ar na segunda-feira (21) com 13 participantes de mercado e quatro operadores de registro distribuído; capacidade plena só em 2028

Por Redação RecortNews

O Banco Central Europeu (BCE) colocou em funcionamento na segunda-feira (21) o Pontes, o sistema que permite liquidar em moeda de banco central as operações de atacado feitas com ativos tokenizados — ações, títulos e outros instrumentos registrados como fichas digitais em registros distribuídos (DLT).

É a primeira entrega concreta do programa estratégico do Eurosistema para finanças tokenizadas, anunciado em março.

"O Pontes leva a estabilidade e a confiança da moeda de banco central ao ecossistema europeu de finanças tokenizadas", afirmou Piero Cipollone, membro da diretoria executiva do BCE, no comunicado da instituição. A presidente Christine Lagarde declarou que o banco "vai continuar avançando em estreita colaboração com o mercado".

O problema que o sistema tenta resolver

Até agora, quem negociava ativos tokenizados na Europa liquidava a ponta financeira em moeda escritural de banco comercial ou em stablecoins. As duas opções carregam risco de crédito da instituição emissora — um obstáculo para investidores institucionais, que evitam guardar exposição a uma contraparte privada no momento em que a operação se encerra.

O Pontes funciona como uma ponte entre as plataformas DLT do mercado e os TARGET Services, a infraestrutura de pagamentos do Eurosistema. A liquidação definitiva acontece no T2, o sistema de liquidação bruta em tempo real da zona do euro, em dois modelos possíveis: por fichas de caixa (cash tokens) ou diretamente no T2. Há ainda um mecanismo de interoperabilidade para operações de entrega contra pagamento entre plataformas diferentes.

Quem já está conectado

Concluíram a integração inicial 13 participantes de mercado: ABANCA, BayernLB, Caisse des Dépôts et Consignations, Cecabank, Deka Bank, Deutsche Bank, DZ Bank, Banco Europeu de Investimento, Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), Memo Bank, NRW.BANK, Santander e Société Générale. O Deutsche Bundesbank também entrou, na condição de participante de mercado.

Do lado da infraestrutura, são quatro operadores de DLT: Axiology, Cashlink, Clearstream e SWIAT.

O BCE informa que o sistema começa com o horário de funcionamento atual do mercado. A capacidade plena — com janela de operação ampliada e novas funcionalidades — está prevista para 2028, em etapas.

O BCE como investidor

No mesmo dia, o BCE publicou um segundo comunicado anunciando que vai aplicar "uma pequena parcela" da carteira de recursos próprios em títulos tokenizados, com liquidação pelo Pontes. O foco inicial serão papéis denominados em euro emitidos por governos centrais e regionais da zona do euro, agências e instituições supranacionais europeias.

"Ao investir diretamente, o BCE ganhará experiência em primeira mão em todo o ciclo de vida do investimento, incluindo execução de operações, liquidação, sistemas e atividades de gestão de carteira", diz o texto. O valor e o calendário ainda não foram definidos: caberá à diretoria executiva fixá-los quando o trabalho preparatório terminar.

Pontes não é o euro digital

Convém não confundir as duas frentes. O Pontes é de atacado: serve a bancos, gestoras e operadores de infraestrutura. O euro digital, a versão para o público em geral, segue em estágio anterior — a legislação final é esperada para o fim de 2026 e um piloto pode começar em setembro de 2027, segundo a Euronews.

Em paralelo, o Eurosistema desenvolve o Appia, iniciativa para um ecossistema integrado de serviços financeiros baseado em DLT, com a participação do Danmarks Nationalbank e de agentes públicos e privados. O desenho final também tem 2028 como horizonte.

Com informações do Banco Central Europeu e da Euronews.