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Economia

Os EUA ligam a inteligência artificial que prevê congestionamento aéreo, a começar por Washington

O sistema SMART cruza malha aérea, previsão do tempo e capacidade dos aeroportos para achar o nó antes de o avião sair do portão. A meta é cobrir o país inteiro até o fim de 2028.

Por Redação RecortNews
O Air Traffic Control System Command Center da FAA, em Herndon, na Virgínia, a instalação cujo software está sendo substituído.
O Air Traffic Control System Command Center da FAA, em Herndon, na Virgínia, a instalação cujo software está sendo substituído.Foto: Federal Aviation Administration, domínio público

A Federal Aviation Administration (a autoridade de aviação civil dos Estados Unidos) começou a entregar a um sistema de inteligência artificial a tarefa de prever onde o espaço aéreo americano vai congestionar — e a região de Washington é o primeiro laboratório.

O software se chama SMART, sigla para Strategic Management of Airspace, Routes, and Trajectories. Ele funciona dentro de uma plataforma maior, o Flow Management Data and Services, que a FAA descreve como a nova espinha dorsal tecnológica do seu centro de comando de tráfego aéreo. A implantação na região de Washington começou em meados de setembro, e a agência afirmou que a operação inicial começaria no outono americano de 2026.

Os dois foram desenvolvidos pela Air Space Intelligence, empresa escolhida no início deste ano pelo Departamento de Transportes americano em um contrato de US$ 875 milhões por 12 anos.

O que o sistema faz, de fato

O SMART não fala com pilotos e não move aeronaves. Ele age antes disso, nas horas e nos dias que antecedem a decolagem.

Segundo a FAA, a plataforma roda em nuvem e consome malha aérea das companhias, previsão do tempo, capacidade dos aeroportos, condições do espaço aéreo e restrições operacionais, projeta como o tráfego vai fluir e aponta conflitos antes que aconteçam. O site Quartz informou que o sistema consegue identificar um ponto de estrangulamento com até 45 dias de antecedência e sugerir ajustes de horário para desarmá-lo.

É um problema diferente daquele que a maioria das pessoas imagina ao ouvir "controle de tráfego aéreo". O controlador na torre resolve os próximos 90 segundos. O centro de comando em Herndon, na Virgínia, resolve as próximas 12 horas em escala continental — decide quais decolagens ficam retidas em solo quando uma linha de tempestades está prestes a fechar um corredor sobre o Meio-Oeste.

Os números

  • US$ 875 milhões — valor do contrato com a Air Space Intelligence
  • 12 anos — a duração dele
  • Fim de 2028 — prazo da FAA para a cobertura nacional
  • US$ 12,5 bilhões — já destinados ao programa mais amplo de modernização do tráfego aéreo

O secretário de Transportes, Sean P. Duffy, pediu ao Congresso mais US$ 6 bilhões a US$ 10 bilhões especificamente para incorporar inteligência artificial a essa modernização.

"Uma ferramenta", não um substituto

A implantação chega a uma agência que passou dois anos com déficit de controladores e operando equipamentos velhos o bastante para render audiências no Congresso. E chega num momento em que colocar IA perto da segurança aérea levanta uma pergunta óbvia.

Duffy respondeu a ela diretamente: "A IA é uma ferramenta, mas não substituímos seres humanos na forma como gerimos o espaço aéreo." O administrador da FAA, Bryan Bedford, apresentou o sistema como uma correção a montante — o FMDS com os recursos do SMART "vai nos ajudar a enfrentar esse desafio melhorando a forma como gerimos o espaço aéreo antes das decolagens". O sindicato dos controladores classificou a atualização como algo que não concorre com seus filiados.

Chris Sununu, presidente da entidade setorial Airlines for America, disse que a tecnologia "usa o que há de mais recente para tornar o tráfego aéreo mais eficiente e pontual, mantendo nosso padrão de excelência em segurança". Phillip Buckendorf, que comanda a Air Space Intelligence, chamou o momento de "empolgante para os milhões de americanos que dependem do transporte aéreo todos os dias".

A promessa a acompanhar é mais estreita que o discurso em volta dela. O SMART é um motor de previsão, e motor de previsão se julga pelos atrasos que não acontecem — um número que ninguém vê. Washington é a primeira chance de medi-lo.

Com informações da Federal Aviation Administration, do Quartz e do TechCrunch.