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Política

Bloco de Netanyahu fica com 53 das 120 cadeiras do Knesset, a oposição com 48, e os partidos árabes chegam a um recorde de 19

Nenhum dos dois blocos alcança os 61 votos da maioria; mais de 500 mil votos em envelope duplo são apurados até esta quinta-feira

Por Redação RecortNews
A fachada do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém, em 2022.
A fachada do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém, em 2022.Foto: Clema12/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A eleição de terça-feira, 27 de outubro, para o 26º Knesset não produziu um vencedor capaz de governar. Com a quase totalidade dos votos apurados, o bloco de Benjamin Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras do Parlamento israelense e o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot, com 48. A maioria exige 61.

A diferença entre os dois blocos existe, mas não resolve nada: faltam oito cadeiras a Netanyahu e treze a Eisenkot. A aritmética do resultado põe no centro da formação de governo um terceiro grupo, que historicamente ficou de fora das coalizões.

Partidos árabes com 19 cadeiras

Os partidos árabes somaram 19 cadeiras, o maior número que já alcançaram em uma eleição israelense. A divisão interna entre a Lista Conjunta e o Ra'am ainda oscilava entre as contagens parciais — de 12 a 13 para a primeira e de 6 a 7 para o segundo —, mas o total de 19 se manteve.

É esse bloco que torna possível, no papel, uma coalizão sem Netanyahu: 48 mais 19 somam 67. O presidente da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, disse que seu partido está disposto a ajudar a tirar o governo de Netanyahu. Ahmad Tibi, do Hadash-Ta'al, sinalizou disposição de trabalhar com a oposição, afirmando que ela poderia formar governo se tivesse determinação para isso.

A resistência está do outro lado. Parte da oposição evita depender de partidos árabes para sustentar um governo, e nenhum acordo foi fechado.

Como ficaram os partidos

Pela contagem divulgada pela Comissão Central de Eleições na quarta-feira, 28 de outubro, a distribuição é a seguinte:

  • Likud (Netanyahu): 26
  • Yashar! (Eisenkot): 21
  • Lista Conjunta: 12 a 13
  • B'Yachad (Naftali Bennett e Yair Lapid): 12
  • Democratas (Yair Golan): 8
  • Yisrael Beytenu (Avigdor Liberman), Judaísmo Unido da Torá, Shas e Otzma Yehudit: 7 cada
  • Sionismo Religioso-Zehut: 6
  • Ra'am: 6 a 7

As listas Reservistas-Econômica, de Yoaz Hendel e Yaron Zelekha, e Amcha Israel ficaram abaixo da cláusula de barreira nas contagens parciais.

A participação dos militares foi de 79,9%, 6,2 pontos percentuais acima da eleição anterior.

A contagem ainda pode mexer

Mais de 500 mil votos em envelope duplo — os de militares, presos, pacientes hospitalizados e diplomatas, apurados separadamente — começaram a ser contados na noite de quarta-feira e seguem até esta quinta-feira à noite. Esse volume é suficiente para mudar uma ou duas cadeiras e, com a margem atual, para alterar a conta de quem pode tentar formar governo. Novas verificações estão previstas para a semana que vem.

O impasse à frente

Eisenkot já descartou servir sob Netanyahu, inclusive em um esquema de rotação no cargo de primeiro-ministro, e outros líderes da oposição também recusaram uma coalizão chefiada por ele — o que torna improvável um governo de unidade. Eisenkot defende que o candidato a primeiro-ministro do bloco seja o líder do maior partido de oposição, mas o bloco não anunciou acordo sobre isso.

Uma das hipóteses abertas pelas pesquisas de boca de urna é um governo minoritário, capaz de ganhar um voto de confiança sem maioria própria. Sem isso, Israel pode seguir sob um governo interino durante as negociações — e, se o impasse se mantiver, ir a uma nova eleição.

Com informações do The Jerusalem Post e do Ynet.