Guadalupe Taddei Zavala entregou na tarde de segunda-feira, 26 de outubro de 2026, sua renúncia à presidência do Instituto Nacional Electoral (INE, a autoridade eleitoral do México) à Câmara dos Deputados, único órgão autorizado pelo artigo 41 da Constituição mexicana a designar quem comanda o instituto. Ela havia anunciado a decisão no domingo 25.
Ricardo Monreal, líder do Morena na Câmara e presidente da Junta de Coordinación Política (Jucopo, o colégio de líderes partidários), divulgou o ofício e afirmou que a partir daquele momento começa o processo de escolha "conforme a Constituição e a lei", com "responsabilidade institucional".
O que diz a carta
No texto, Taddei afirma que deixa o cargo com "serenidade" e "a satisfação do dever cumprido", e que "o Instituto e suas responsabilidades constitucionais devem prevalecer acima de qualquer interesse pessoal". No domingo, ela havia dito que a decisão veio após uma "profunda reflexão" e que não isenta ninguém de esclarecer as acusações "com transparência, rigor e devido processo".
O próprio INE publicou o comunicado com a renúncia no domingo 25, retirou-o pouco depois e voltou a divulgá-lo mais tarde, sem explicar a retirada.
A investigação da ASF
Em 23 de outubro, a Auditoría Superior de la Federación (ASF, o tribunal de contas federal mexicano) abriu de ofício uma investigação sobre o uso de recursos públicos do INE em contratos de material eleitoral: papel de segurança, tintas invisíveis e marcas d'água, entre outros insumos. A ASF examina vínculos entre ex-funcionários do instituto e fornecedores, além de possíveis conflitos de interesse, conluio e triangulação de recursos. Ainda não detalhou quais procedimentos revisa nem identificou os envolvidos.
A presidente Claudia Sheinbaum havia pedido, em 20 de outubro, uma revisão da ASF para determinar se o instituto empregou indevidamente recursos públicos. O Órgano Interno de Control do INE recebeu os processos e deve estabelecer se houve omissão ou falsidade nas informações prestadas por ex-funcionários.
Taddei rejeitou as imputações. Em 23 de outubro, disse à IMER Noticias que as publicações contra ela tinham "um objetivo estritamente político", e negou uma versão sobre um suposto motorista: "Jamais foi meu motorista".
Sua gestão já acumulava questionamentos internos. Conselheiros do próprio instituto reclamaram de falta de colegialidade nas decisões, e a Secretaría Ejecutiva teve cinco nomeações desde que ela assumiu, todas com resistências.
Quem preside enquanto isso
A legislação eleitoral mexicana prevê que, na ausência do conselheiro presidente, o próprio Consejo General designe provisoriamente um de seus integrantes, como lembrou a Expansión Política. A nomeação definitiva cabe à Câmara dos Deputados, que ainda não marcou data.
A troca chega no pior momento do calendário. Taddei comandava o INE desde abril de 2023 e conduziu a eleição presidencial de 2024 e a eleição judicial de 2025; sua saída deixa o instituto com uma presidência interina justamente quando começa a preparação do processo eleitoral federal 2026-2027, que vai renovar a Câmara dos Deputados. O INE precisa seguir operando enquanto as autoridades determinam se houve faltas administrativas ou crimes.
Com informações de Expansión Política e Infobae México.




