O Bolsa Família terá reajuste de 15% a partir de outubro. O Decreto 13.120, assinado em 17 de setembro no Palácio do Planalto, corrige os valores do programa pela variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 — o período desde a última recomposição.
Os novos valores
O piso por família, que estava em R$ 600 desde a retomada do programa, passa a R$ 691. O benefício médio efetivamente pago sobe de R$ 675 para R$ 777, um acréscimo de cerca de R$ 100 por família.
O reajuste alcança as parcelas que, somadas, formam o valor recebido:
| Parcela | Novo valor |
|---|---|
| Renda de Cidadania | R$ 164 por pessoa da família |
| Primeira Infância | R$ 173 por criança de zero a sete anos incompletos |
| Variável Familiar | R$ 58 por integrante nas situações previstas |
O Benefício Complementar continua sendo o mecanismo que garante o piso: ele cobre a diferença quando a soma das parcelas fica abaixo de R$ 691.
Quando começa a valer
O decreto entra em vigor na data de publicação, mas os efeitos financeiros só valem a partir do primeiro dia do mês seguinte — ou seja, 1º de outubro de 2026. A folha de outubro é a primeira com os valores corrigidos.
A data cai três dias antes do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.
O cálculo por trás dos 15%
A correção não foi arbitrada: segundo o governo, ela reproduz os 15,04% de inflação acumulada pelo INPC no intervalo de março de 2023 a agosto de 2026, conforme explicou Bruno Moretti, do Ministério do Planejamento, em declarações reproduzidas pela Agência Brasil. O INPC é o índice que mede a inflação das famílias de renda mais baixa, faixa em que está o público do programa — o que torna a escolha do indexador coerente com o perfil de quem recebe.
Na leitura do governo, a medida recompõe o poder de compra corroído desde 2023, sem ampliar o alcance do programa: o reajuste é de valor, não de cobertura.
Peso no orçamento
Apesar do aumento nominal, a projeção oficial é de que o Bolsa Família represente entre 1,2% e 1,25% do PIB em 2027 — abaixo do patamar de aproximadamente 1,5% registrado em 2022 e 2023. A diferença se explica menos pelo valor do benefício e mais pelo número de famílias no programa, que encolheu com a revisão do Cadastro Único nos últimos anos.
Com informações do Decreto 13.120, publicado pelo Planalto, e da Agência Brasil.




