O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Catete, no Rio de Janeiro, abriu ao público a exposição "Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG". A mostra, montada no Museu de Folclore Edison Carneiro, reúne peças bordadas à mão por artesãs de dois municípios do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, e fica em cartaz até 29 de novembro. A entrada é gratuita.
A exposição foi aberta em 17 de setembro, com uma roda de conversa reunindo representantes das três associações de artesãs envolvidas.
A técnica
O trabalho parte do algodão. As peças são costuradas à mão, bordadas ponto a ponto e acabadas em crochê — um conhecimento transmitido dentro das famílias, de mãe para filha, e aplicado a enxovais, toalhas de mesa e roupas. É uma tradição antiga no território, embora menos conhecida fora dele do que a cerâmica que consagrou o Jequitinhonha nos circuitos de arte popular.
Segundo a historiadora Ana Lima Kallás, responsável pela pesquisa de campo e pelo texto do catálogo, a arte têxtil do Jequitinhonha é pouco conhecida apesar de muito antiga na região — e as bordadeiras são hoje mais numerosas do que as tecelãs. Para montar a mostra, ela entrevistou 40 mulheres.
Estão nomeadas na exposição Maria Aparecida das Graças Oliveira, presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur); Ilma Gonçalves de Oliveira, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte); e Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho, da associação de artesãs de Veredinha.
O eucalipto no meio da história
A mostra não trata o bordado apenas como patrimônio. Ela registra uma pressão econômica em curso: a expansão do cultivo de eucalipto na região reduziu o espaço do algodão na agricultura familiar. Sem algodão plantado por perto, a matéria-prima que sustentava a técnica passa a depender do mercado — o que encarece a peça e afasta a produção da lógica comunitária que a originou.
Para as artesãs, o que está em jogo é renda. "O artesanato representa uma renda necessária", disse Ilma Gonçalves de Oliveira ao Jornal do Brasil. As peças da associação são vendidas por valores que vão de R$ 50 a R$ 1.500.
Serviço
"Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG" Museu de Folclore Edison Carneiro — Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular Rua do Catete, 179 — Catete, Rio de Janeiro Até 29 de novembro de 2026 De terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h Entrada gratuita
Com informações da Agência Brasil e do Jornal do Brasil.




