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Brasil e EUA criam grupo de trabalho sobre o tarifaço, e Washington deve enviar proposta em semanas

Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa se reuniram com Jamieson Greer em Milwaukee, na primeira conversa presencial desde as sobretaxas de 25% e 12,5% aplicadas em julho

Por Redação RecortNews
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio Itamaraty, em Brasília, em abril de 2023.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio Itamaraty, em Brasília, em abril de 2023.Foto: Luara Baggi/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Brasil e Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (30) a criação de um grupo de trabalho dedicado exclusivamente às tarifas que Washington impôs a produtos brasileiros em julho. A decisão saiu de uma reunião em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin, onde acontece o encontro de ministros de Comércio do G20 — a primeira conversa presencial entre os dois governos sobre o assunto desde que as sobretaxas passaram a valer.

Pelo lado brasileiro estiveram o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Os Estados Unidos foram representados pelo representante de Comércio, Jamieson Greer.

O que ficou combinado

Segundo nota do Itamaraty, os dois lados "reconheceram a importância de avançar na superação dos obstáculos existentes" e classificaram o encontro como construtivo. O passo seguinte é americano: o governo dos Estados Unidos deve enviar, nas próximas semanas, um documento com a proposta de escopo da negociação, cobrindo tanto questões tarifárias quanto não tarifárias.

Esse detalhe é o que distingue o anúncio de outras declarações de disposição ao diálogo feitas nos últimos meses. Um grupo de trabalho com pauta escrita e prazo para a proposta transforma a conversa em processo — mas o texto que definirá o alcance da negociação ainda não existe, e é Washington que o redige.

De onde vem o tarifaço

As medidas americanas vieram em duas rodadas, ambas em julho deste ano. A primeira aplicou uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais desleais. A segunda somou 12,5%, com base em acusações de que a legislação brasileira contra o trabalho forçado seria insuficiente. O governo brasileiro rejeita as duas justificativas.

Desde então, o Brasil sustenta que a saída é negociada. A nota desta quarta repete a fórmula: o país reafirmou a disposição de buscar soluções pelo diálogo, com foco na defesa dos interesses brasileiros e na ampliação de oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países.

A reunião de ministros de Comércio do G20 em Milwaukee vai até quinta-feira (1º), e nem o Itamaraty nem o escritório do representante de Comércio americano informaram data para a primeira sessão formal do grupo de trabalho.

Com informações de Agência Brasil, CartaCapital e Brasil 247.