Pular para o conteúdo
RecortNews
Política

Bulgária vai ao segundo turno presidencial em 1º de novembro com pouco mais de 22% de comparecimento

As bocas de urna dão entre 32,7% e 36,4% à presidente Iliana Yotova e entre 30,8% e 33,5% ao ex-premiê interino Andrey Gyurov; o ultranacionalista Kostadin Kostadinov ficou entre 12,6% e 13,5%

Por Redação RecortNews
A presidente Iliana Yotova entrega a Andrey Gyurov, então vice-governador do Banco Nacional da Bulgária, o mandato para formar um gabinete interino, em fevereiro de 2026. Os dois disputam agora o segundo turno presidencial.
A presidente Iliana Yotova entrega a Andrey Gyurov, então vice-governador do Banco Nacional da Bulgária, o mandato para formar um gabinete interino, em fevereiro de 2026. Os dois disputam agora o segundo turno presidencial.Foto: President.bg/Wikimedia Commons, CC BY 2.5 bg

A Bulgária votou neste domingo (25) no primeiro turno da eleição presidencial e terá de voltar às urnas em 1º de novembro. As bocas de urna apontam a presidente Iliana Yotova e o ex-primeiro-ministro interino Andrey Gyurov como os dois nomes que seguem para o segundo turno, com uma diferença pequena o bastante para que os institutos discordem entre si sobre quem chegou na frente.

O que dizem as bocas de urna

Os números divulgados após o fechamento das urnas, às 20h locais, não convergem:

  • Trend: Yotova 36,4% e Gyurov 32,1%
  • Myara: Yotova 35,0% e Gyurov 31,9%
  • Alpha Research: Yotova 34,6% e Gyurov 32,7%
  • Market Links (contagem paralela final): Gyurov 33,5% e Yotova 32,7%

Dos quatro institutos, apenas o Market Links coloca Gyurov à frente — por 0,8 ponto. O terceiro colocado é Kostadin Kostadinov, líder do partido ultranacionalista Vazrajdane, com algo entre 12,6% e 13,5%; ele concorreu com o eurodeputado Petar Volgin em uma chapa de orientação pró-Rússia. Nenhuma das outras chapas — eram 26 no total — chegou aos dois dígitos. Os resultados oficiais preliminares são esperados para segunda-feira.

Por que há segundo turno

A lei búlgara exige duas coisas ao mesmo tempo para eleger um presidente já no primeiro turno: comparecimento de pelo menos 50% do eleitorado e mais de 50% dos votos válidos. Nenhuma das duas se verificou.

O comparecimento ficou perto de 22% — 22,3% uma hora antes do fechamento, pelo Alpha Research; 22,1% pelo Market Links; 22,2% pelo Myara. É o menor índice já registrado numa eleição presidencial búlgara, e o dado mais eloquente da noite: a disputa pelo cargo mais alto do Estado mobilizou pouco mais de um em cada cinco eleitores.

Os dois nomes do segundo turno

Iliana Yotova, jornalista de formação e ex-deputada do Parlamento Europeu, foi vice-presidente nos mandatos de Rumen Radev eleitos em 2016 e 2021 e assumiu a Presidência em janeiro de 2026, quando Radev deixou o cargo para disputar a política parlamentar. Tem o apoio declarado do Bulgária Progressista, partido de Radev, do Partido Socialista Búlgaro e do ABV, de esquerda. Defende o diálogo com Moscou e se opõe à ajuda militar à Ucrânia. Seu vice na chapa é Kiril Vulchev, diretor da agência estatal de notícias BTA. Se vencer, será a primeira mulher eleita presidente do país.

Andrey Gyurov é economista, foi vice-governador do Banco Nacional da Bulgária e chefiou um gabinete interino no início de 2026. É apoiado por Continuamos a Mudança e pela Bulgária Democrática, legendas pró-ocidentais de oposição a Radev, manifesta apoio firme a Kiev e assinou um acordo de cooperação em segurança com a Ucrânia. Concorre com Georgi Kandev, ex-secretário-geral interino do Ministério do Interior.

A campanha

Três temas dominaram as últimas semanas: a guerra da Rússia na Ucrânia, os ataques de drones a navios comerciais na costa búlgara do mar Negro — que elevaram a preocupação com segurança — e a alta dos preços de energia e da inflação, sentida sobretudo pelas famílias das áreas rurais.

A Presidência búlgara é um cargo de poderes limitados, mas não decorativo: o chefe de Estado comanda as Forças Armadas, tem poder de veto sobre leis aprovadas pelo Parlamento e nomeia governos interinos — atribuição que pesou nos últimos anos, de instabilidade parlamentar quase permanente.

Com informações de The Sofia Globe, Euronews e Novinite.