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Política

Sérvia abre as urnas em eleição antecipada que opõe Vučić a uma lista saída dos protestos estudantis

Seções abriram às 7h locais e fecham às 20h; 6,4 milhões de eleitores escolhem os 250 deputados, e 18 partidos disputam as cadeiras com barreira de 3%

Por Redação RecortNews
A Casa da Assembleia Nacional da Sérvia, em Belgrado, em foto de 2023.
A Casa da Assembleia Nacional da Sérvia, em Belgrado, em foto de 2023.Foto: kallerna/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Os eleitores sérvios começaram a votar neste domingo em uma eleição parlamentar antecipada que coloca frente a frente Aleksandar Vučić, no poder há mais de uma década, e uma lista de candidatos saída do movimento de protesto que tomou as ruas do país depois de um acidente que matou 16 pessoas em 2024.

As seções abriram às 7h locais (3h em Brasília) e fecham às 20h (16h em Brasília), segundo a Al Jazeera. Os primeiros resultados são esperados cerca de duas horas depois do encerramento, mas a apuração oficial só deve sair na segunda-feira, informou a Associated Press.

250 cadeiras, 18 partidos e barreira de 3%

Estão aptos a votar 6,4 milhões de eleitores, que escolhem os 250 deputados da Assembleia Nacional. Dezoito partidos e coligações disputam as cadeiras, e cada um precisa de pelo menos 3% dos votos para entrar no Parlamento. Uma participação alta, como se espera nesta eleição, tende a empurrar as legendas menores para baixo desse corte — o que ajuda a explicar por que a disputa se organizou em torno de dois blocos.

Vučić convocou a eleição antecipada em setembro e renunciou à Presidência no mês passado para liderar a campanha do Partido Progressista Sérvio (SNS). Se a sigla fizer a maior votação, ele deve assumir como primeiro-ministro, cargo que já ocupou antes de cumprir dois mandatos quase completos como presidente.

A lista nascida dos protestos

Do outro lado está a Lista dos Estudantes, que nasceu da mobilização iniciada depois do desabamento da marquise de concreto da estação ferroviária de Novi Sad, no norte do país, em 2024. Dezesseis pessoas morreram. Os manifestantes atribuem o acidente à corrupção na reforma da estação e passaram a cobrar responsabilização e justiça para as vítimas.

Nenhum dos candidatos da lista é estudante: são cerca de 250 nomes pouco conhecidos — professores universitários, atores, atletas, agricultores e técnicos de várias áreas. A campanha se apresenta com o lema "sabemos como" e promete reconstruir a economia e as instituições fora da lógica partidária. A Al Jazeera identifica à frente do grupo o cardiologista Ilija Srdanović; a AP descreve a lista como sem líder formal e sem vínculo institucional com as universidades.

Uma pesquisa do Ipsos divulgada na quinta-feira deu 47% ao SNS e 40% aos estudantes. Outros levantamentos colocaram a lista à frente, e os dois lados dizem estar ganhando.

O que pode vir depois do fechamento das urnas

"A dinâmica política mudou de forma fundamental", disse à Al Jazeera Jelena Vasiljević, pesquisadora sênior do Instituto de Filosofia e Teoria Social da Universidade de Belgrado. Para ela, a participação será decisiva: os estudantes precisam mobilizar não só o eleitorado de oposição, mas também indecisos e quem costuma não votar.

Vučić nega acusações de repressão, corrupção e espionagem de adversários, e afirma que a lista estudantil é financiada por agentes estrangeiros na Croácia e em Montenegro — o que o grupo rejeita. Ele disse que seu lado reconheceria uma derrota, mas avisou que protestos contra suposta fraude depois de uma vitória sua seriam "imediatamente esmagados".

Magda Anastasijević, analista para a Europa Oriental do monitor de conflitos ACLED, afirmou à AP que a violência eleitoral vem aumentando no país e pode escalar, "particularmente se os resultados forem contestados". Analistas ouvidos pela agência temem instabilidade pós-eleitoral se o resultado for apertado — e as pesquisas apontam exatamente para isso.

Com informações de Al Jazeera e Associated Press.