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Economia

Eleitores americanos foram contra data centers em 40 de 41 consultas locais, e o setor de IA já reescreveu sua oferta

Consultas municipais em pelo menos 10 estados aprovaram restrições ou derrubaram propostas favoráveis às obras. Dois dias depois, a OpenAI anunciou que vai pagar integralmente a energia dos data centers que opera e abandonar acordos de sigilo com autoridades públicas.

Por Redação RecortNews
Infraestrutura de data center nos Estados Unidos, em foto de 2025 divulgada pelo National Renewable Energy Laboratory, do Departamento de Energia americano.
Infraestrutura de data center nos Estados Unidos, em foto de 2025 divulgada pelo National Renewable Energy Laboratory, do Departamento de Energia americano.Foto: DOE / National Renewable Energy Laboratory (NREL)/Wikimedia Commons, domínio público

Nenhuma cédula estadual americana trazia o tema dos data centers em 3 de novembro. Ainda assim, o setor teve uma das piores noites de qualquer grupo de interesse no país.

Em pelo menos 10 estados, moradores votaram dezenas de emendas a leis orgânicas municipais, questões de zoneamento e referendos sobre empreendimentos voltados aos galpões de servidores que sustentam a inteligência artificial. De 41 consultas locais desse tipo, os eleitores aprovaram restrições ou derrubaram propostas favoráveis às obras em 40, segundo levantamento do Ballotpedia e resultados compilados pela CNBC. O Washington Post contabilizou pelo menos 38 jurisdições que aprovaram medidas limitando ou bloqueando de vez as instalações.

As margens não foram apertadas. Em Ohio, onde vários distritos e vilas levaram emendas diretamente aos moradores, números não oficiais dos condados mostram uma restrição à construção aprovada em Defiance com 64,73% dos votos a favor, em Pataskala com 73,62% e em Granville com 82,45%. Em Ashville, um referendo foi rejeitado por 81,61% a 18,39%.

Apenas um resultado local favoreceu o setor. Em Harwood, no Dakota do Norte, cerca de três quartos dos eleitores recusaram restrições propostas ao desenvolvimento industrial.

As eleições de governador disseram a mesma coisa

O padrão se repetiu nas disputas em que o cargo, e não a pergunta, estava na cédula.

No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott depois de fazer campanha explicitamente pela interrupção das obras. Em vídeo publicado em 22 de outubro, ela prometeu "decretar uma moratória — uma proibição — de todas as aprovações de data centers", e mantê-la até que a Assembleia Legislativa estadual aprove o que chamou de proteções reais para que os texanos tenham lugar à mesa. Sua plataforma também prevê exigir mão de obra sindicalizada nos canteiros, proteger o abastecimento de água local, encerrar os incentivos de imposto sobre vendas concedidos pelo estado aos projetos e proibir as operadoras de usar acordos de confidencialidade.

Ela vai herdar um congelamento, não criar um. Abbott suspendeu as aprovações a partir de agosto, primeiro no operador da rede elétrica estadual e depois na agência de licenciamento ambiental, para que informações sobre os projetos fossem auditadas e reunidas. A expectativa era de que a auditoria se estendesse até dezembro. Hinojosa assume em 19 de janeiro, e a Assembleia Legislativa se reúne no mesmo mês — o que significa que as aprovações no maior mercado de data centers do país podem seguir travadas por boa parte de 2027.

Ohio elegeu Amy Acton, democrata que defende uma moratória e regras mais rígidas. Na Geórgia, a governadora eleita Keisha Lance Bottoms fez da responsabilização dos empreendedores um tema central da campanha.

O setor já vinha perdendo terreno antes da votação. A oposição pública atrasou ou cancelou mais de 145 projetos no país até o início de agosto, segundo dados da S&P Global citados pelo Washington Post, e a resistência local respondeu pela maior parte desses casos. Pesquisa pré-eleitoral do Washington Post com a ABC News e o Ipsos apontou que sete em cada dez americanos — incluindo a maioria dos republicanos — eram contra novas construções de data centers em suas próprias comunidades.

Um número complica o quadro. Pesquisa de boca de urna indicou que 56% dos eleitores consideraram IA e data centers um fator importante ou decisivo em seu voto, o que soa esmagador até ser posto em ordem: o tema ficou em último lugar entre cinco, atrás de corrupção no governo, da guerra no Irã e do custo de vida. Data centers não decidiram a eleição. Eles perderam nas cédulas em que apareceram.

A OpenAI paga a conta de luz

A resposta das empresas veio em menos de 48 horas, e é específica de um jeito que respostas setoriais normalmente não são.

A OpenAI anunciou que vai pagar o custo integral da energia dos data centers que possui e opera, consultar as comunidades antes de construir, divulgar suas plantas de obra e parar de assinar acordos de confidencialidade com autoridades públicas. A empresa também lançou um documento de políticas pedindo que legisladores transformem esses padrões em lei para todo o setor — texto que, segundo relatos, estava em preparação desde agosto, ou seja, desde antes da votação que o fez parecer urgente.

Cada um dos quatro compromissos responde a uma queixa concreta. A conta de luz responde ao temor de que consumidores residenciais subsidiem a demanda industrial. O fim dos acordos de sigilo responde à reclamação de que câmaras municipais negociam com os empreendedores sob cláusulas de silêncio e não podem contar aos eleitores o que assinaram — prática que Hinojosa prometeu proibir no Texas.

A Meta foi menos conciliadora. Em painel na conferência de tecnologia do Wall Street Journal na quarta-feira, a presidente da empresa, Dina Powell McCormick, afirmou que as vitórias democratas nas eleições de meio de mandato vão dificultar a construção de data centers, e que o setor não fez o suficiente para explicar seus benefícios. "A manifestação visível da IA é um data center", disse ela — o prédio é o que as pessoas conseguem ver e, por isso, absorve o que elas sentem sobre a tecnologia.

Ela descreveu o que a Meta considera um projeto bem-sucedido: a empresa paga sua própria energia, direciona o excedente de arrecadação a professores e socorristas, contrata localmente e obtém apoio dos dois partidos. Disse também esperar que os projetos futuros passem a ser avaliados pelo critério de os eleitores quererem ou não aquela obra. A Meta opera data centers em 23 estados e tem cinco planejados com um gigawatt ou mais, incluindo um no Texas.

A entidade do setor seguiu a linha mais estreita. "Custo de vida, empregos e economia são prioridades para os americanos em todo o país", disse Dan Diorio, da Data Center Coalition (associação que representa o setor), argumentando que as instalações geram empregos, arrecadação local e investimento.

Esse é o argumento que as urnas acabaram de testar. Em 40 dos 41 lugares em que os eleitores foram consultados, ele não se sustentou.

Com informações de Fox Business, TechCrunch e The Texas Tribune, e dados de consultas e projetos compilados por Ballotpedia, CNBC, The Washington Post e S&P Global conforme citados nessas reportagens.