Quatro pessoas continuavam desaparecidas em Caxias do Sul, na Serra gaúcha, na tarde desta segunda-feira (21), depois de um ciclone extratropical varrer o Rio Grande do Sul entre a noite de domingo e a madrugada. A Defesa Civil estadual registra ocorrências em 64 municípios, 624 desalojados e 4 desabrigados, e duas distribuidoras de energia ainda contabilizavam 623 mil clientes sem luz às 13h.
O sistema se deslocou da Argentina em direção ao Oceano Atlântico e foi antecipado com alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o sudoeste do Paraná, o sul de Santa Catarina e boa parte do território gaúcho, com previsão de ventos acima de 100 km/h e queda de granizo.
Os desaparecidos
Os quatro desaparecidos são todos de Caxias do Sul. No bairro Parada Cristal, uma enxurrada arrastou um veículo com quatro ocupantes: um homem foi resgatado, e seguem sem localização um adolescente de 13 anos, uma criança de 4 anos e uma mulher de 43 anos. No bairro De Lazzer, um homem desapareceu ao fazer a limpeza de uma galeria e foi levado pela água.
A cidade foi a mais castigada pelo volume de chuva: 159,4 milímetros em um único dia — mais do que a média histórica de muitos meses de setembro na região. A maior rajada de vento medida no estado foi em Hulha Negra, na Campanha, com 126,7 km/h.
Energia, estradas e um prédio que cedeu
A CEEE Equatorial, que atende Porto Alegre e região, chegou a 588 mil clientes sem fornecimento às 5h e ainda tinha 442,7 mil às 13h; na sua área de concessão, a empresa registrou rajadas de até 115 km/h. A CPFL RGE, que atende o interior, saiu de 381,4 mil clientes no começo da manhã para 189 mil ao longo da tarde. Somados, são 623 mil pontos sem energia no meio do dia.
Em Pelotas, a Defesa Civil municipal registrou o desabamento parcial de um prédio na rua Marcílio Dias, na altura da rua Doutor Amarante. Um homem ficou gravemente ferido ao tentar reparar um telhado durante o temporal.
Em Porto Alegre, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) contabilizou 90 ocorrências ligadas ao mau tempo até as 13h, com seis vias totalmente bloqueadas, doze com interdição parcial por queda de árvores, galhos, fios e postes, e vinte semáforos com problemas — dezessete apagados e três em amarelo piscante.
"Tsunami meteorológico" no litoral
A Defesa Civil também registrou alagamentos costeiros provocados por um fenômeno conhecido como meteotsunami, ou tsunami meteorológico: uma elevação súbita do nível do mar associada a alterações bruscas da pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos. Não tem relação com o tsunami de origem sísmica, provocado por terremotos, mas pode produzir inundação repentina na faixa litorânea.
O alerta continua
Segundo a Defesa Civil estadual, a chuva das últimas 12 horas elevou arroios e rios da região hidrográfica do Guaíba, com risco de alagamentos e enxurradas. A previsão indicava continuidade de chuva intensa ao longo da tarde nas regiões Norte, Vales e Serra, com acumulados de 50 a 80 milímetros em 12 horas.
O alerta segue válido até quarta-feira (23), com possibilidade de granizo e rajadas superiores a 90 km/h. No boletim emitido no domingo, o Centro de Monitoramento da Defesa Civil já projetava acumulados que poderiam superar pontualmente os 150 milímetros no Centro e na metade norte do estado, além de risco de tornado na madrugada desta segunda.
É o terceiro episódio de chuva severa a atingir o Rio Grande do Sul em 2026 com reconhecimento de emergência em série de municípios — em julho e agosto, a Defesa Civil já havia reconhecido situação de emergência em dezenas de cidades gaúchas por causa das chuvas.
Com informações de Agência Brasil, Defesa Civil do Rio Grande do Sul, Inmet e Agência Estado.




