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Coalizão saudita diz ter interceptado míssil dos houthis lançado contra Riad

Foi o primeiro alerta antiaéreo na capital desde julho, quando a trégua de 2022 ruiu. Moradores relataram fumaça sobre os tanques de combustível do aeroporto King Khalid; Riad afirma não ter havido vítimas nem danos.

Por Redação RecortNews
O Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, em 2025. Moradores relataram fumaça sobre a área de tanques de combustível do terminal na madrugada de sábado.
O Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, em 2025. Moradores relataram fumaça sobre a área de tanques de combustível do terminal na madrugada de sábado.Foto: Kharbaan Ghaltaan/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado pelo grupo houthi contra Riad na madrugada de sábado (19). Foi a primeira vez que sirenes antiaéreas soaram na capital saudita desde que a guerra no Iêmen voltou a escalar, em julho deste ano, encerrando quatro anos de relativa calma desde a trégua de abril de 2022.

O porta-voz da coalizão, major-general Turki al-Maliki, declarou que as defesas antiaéreas "interceptaram e destruíram" o míssil dirigido à capital e que as demais tentativas de ataque foram barradas. Segundo o comunicado saudita, não houve vítimas nem danos.

Moradores das imediações do Aeroporto Internacional King Khalid, porém, relataram explosões e uma coluna de fumaça preta sobre a área de tanques de combustível do terminal. O serviço de rastreamento FlightRadar24 chegou a classificar o aeroporto no nível máximo de perturbação antes que o tráfego voltasse ao normal.

O que os houthis dizem

O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que a ofensiva usou "mísseis de cruzeiro e balísticos, além de drones", e que atingiu "alvos sensíveis" na capital saudita e instalações da Saudi Aramco em Yanbu, no litoral oeste do país. Saree também reivindicou ataques contra Bisha, Taif e Farasan.

A agência AP informou não ter conseguido verificar de forma independente as alegações do grupo. As duas versões — a saudita, de interceptação completa, e a houthi, de incêndios provocados — não foram conciliadas por nenhuma fonte independente até a publicação desta reportagem.

Uma escalada de duas semanas

O ataque a Riad é o ponto mais alto de uma sequência rápida:

  • Julho de 2026 — a trégua costurada em abril de 2022 rui depois que os houthis autorizam o pouso de uma aeronave iraniana, contrariando o controle saudita do espaço aéreo iemenita.
  • Setembro — o grupo avança sobre o litoral do mar Vermelho, toma a cidade portuária de Moca e passa a controlar o estreito de Bab al-Mandeb.
  • Quarta-feira (16) — a Arábia Saudita acusa os houthis de tentar atingir Meca com um drone; o grupo nega.
  • Quinta-feira (17) — destroços de drone provocam a primeira morte de civil em território saudita nesta fase da guerra.
  • Sábado (19) — o míssil contra Riad.

Autoridades regionais ouvidas pela AP dizem que a Arábia Saudita enfrenta escassez de mísseis interceptadores e pediu apoio de defesa antiaérea à França, ao Reino Unido, ao Paquistão e ao Egito. Os Estados Unidos, aliados de Riad, aprovaram a venda de 48 caças F-35 ao reino, em contrato avaliado em US$ 24,3 bilhões, e sinalizaram não ter, no momento, conflito aberto com os houthis.

O Departamento de Estado americano emitiu alerta de segurança para a região, afirmando que o confronto "tem potencial para escalar rapidamente". A Turquia manifestou apoio à Arábia Saudita diante dos ataques.

O custo humano

As Nações Unidas contabilizam mais de 112 mil deslocados desde a retomada dos combates, e cerca de 3 mil pessoas que atravessaram para o Djibuti. Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que "a única saída é a negociação", mas descrevem os dois lados como presos a uma armadilha de escalada.

Com informações de Al Jazeera, NPR, Associated Press, Times of Israel e Euronews.