A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado pelo grupo houthi contra Riad na madrugada de sábado (19). Foi a primeira vez que sirenes antiaéreas soaram na capital saudita desde que a guerra no Iêmen voltou a escalar, em julho deste ano, encerrando quatro anos de relativa calma desde a trégua de abril de 2022.
O porta-voz da coalizão, major-general Turki al-Maliki, declarou que as defesas antiaéreas "interceptaram e destruíram" o míssil dirigido à capital e que as demais tentativas de ataque foram barradas. Segundo o comunicado saudita, não houve vítimas nem danos.
Moradores das imediações do Aeroporto Internacional King Khalid, porém, relataram explosões e uma coluna de fumaça preta sobre a área de tanques de combustível do terminal. O serviço de rastreamento FlightRadar24 chegou a classificar o aeroporto no nível máximo de perturbação antes que o tráfego voltasse ao normal.
O que os houthis dizem
O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que a ofensiva usou "mísseis de cruzeiro e balísticos, além de drones", e que atingiu "alvos sensíveis" na capital saudita e instalações da Saudi Aramco em Yanbu, no litoral oeste do país. Saree também reivindicou ataques contra Bisha, Taif e Farasan.
A agência AP informou não ter conseguido verificar de forma independente as alegações do grupo. As duas versões — a saudita, de interceptação completa, e a houthi, de incêndios provocados — não foram conciliadas por nenhuma fonte independente até a publicação desta reportagem.
Uma escalada de duas semanas
O ataque a Riad é o ponto mais alto de uma sequência rápida:
- Julho de 2026 — a trégua costurada em abril de 2022 rui depois que os houthis autorizam o pouso de uma aeronave iraniana, contrariando o controle saudita do espaço aéreo iemenita.
- Setembro — o grupo avança sobre o litoral do mar Vermelho, toma a cidade portuária de Moca e passa a controlar o estreito de Bab al-Mandeb.
- Quarta-feira (16) — a Arábia Saudita acusa os houthis de tentar atingir Meca com um drone; o grupo nega.
- Quinta-feira (17) — destroços de drone provocam a primeira morte de civil em território saudita nesta fase da guerra.
- Sábado (19) — o míssil contra Riad.
Autoridades regionais ouvidas pela AP dizem que a Arábia Saudita enfrenta escassez de mísseis interceptadores e pediu apoio de defesa antiaérea à França, ao Reino Unido, ao Paquistão e ao Egito. Os Estados Unidos, aliados de Riad, aprovaram a venda de 48 caças F-35 ao reino, em contrato avaliado em US$ 24,3 bilhões, e sinalizaram não ter, no momento, conflito aberto com os houthis.
O Departamento de Estado americano emitiu alerta de segurança para a região, afirmando que o confronto "tem potencial para escalar rapidamente". A Turquia manifestou apoio à Arábia Saudita diante dos ataques.
O custo humano
As Nações Unidas contabilizam mais de 112 mil deslocados desde a retomada dos combates, e cerca de 3 mil pessoas que atravessaram para o Djibuti. Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que "a única saída é a negociação", mas descrevem os dois lados como presos a uma armadilha de escalada.
Com informações de Al Jazeera, NPR, Associated Press, Times of Israel e Euronews.



