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COP31 abre na segunda-feira em Antália com a Turquia na presidência e a Austrália conduzindo as negociações

A conferência vai de 9 a 20 de novembro, reúne cerca de 200 países e mais de 100 mil inscritos. A aposta turca é elevar a eletricidade de cerca de 20% para 35% da demanda global de energia até 2035; o governo Trump não participa das negociações.

Por Redação RecortNews
A baía de Antália, no sul da Turquia, cidade que recebe a COP31, vista do parque Karaalioğlu em 2022.
A baía de Antália, no sul da Turquia, cidade que recebe a COP31, vista do parque Karaalioğlu em 2022.Foto: Joe Wallace/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31) abre nesta segunda-feira (9) em Antália, no sul da Turquia, e vai até 20 de novembro. São esperados representantes de cerca de 200 países e mais de 100 mil inscritos.

Uma presidência dividida em duas

A conferência estreia um arranjo inédito: a Turquia tem a presidência formal — o cargo é exercido pelo ministro do Meio Ambiente, Murat Kurum — e a Austrália conduz as negociações, em articulação com os países insulares do Pacífico. A divisão foi a saída encontrada para a disputa entre os dois governos sobre quem sediaria o encontro.

"A COP31 chega num momento difícil para o mundo", disse o ministro australiano do Clima, Chris Bowen. Kurum afirmou que a conferência vai tentar "transformar os compromissos das COPs anteriores em resultados reais".

O que está na mesa

Pela leitura da ONU, quatro frentes concentram a disputa:

  • Financiamento climático. Países em desenvolvimento cobram que as nações ricas cumpram os compromissos financeiros do Acordo de Paris. Negociadores africanos querem incluir na agenda a meta de triplicar o dinheiro destinado à adaptação.
  • Transição justa. O mecanismo aprovado no ano passado existe no papel, mas ainda não tem regras de funcionamento.
  • Adaptação. A negociação é sobre como medir o progresso — e sobre quem paga por ele.
  • Corte de emissões. Os governos seguem divididos sobre endurecer metas e sobre entregar o que já prometeram.

Em Antália também começa o segundo balanço global, o exercício periódico que afere o que o conjunto dos países entregou frente ao Acordo de Paris.

A aposta turca é a eletrificação

Fora do texto negociado, a Turquia montou uma "agenda de ação" de compromissos voluntários, que vai de inteligência artificial a gestão de resíduos. O carro-chefe é elevar a participação da eletricidade na demanda global de energia de cerca de 20% hoje para 35% até 2035. Turquia e Austrália querem a eletrificação citada na decisão final da conferência; a União Europeia pressiona para que o texto fale de eletrificação "limpa".

Combustíveis fósseis devem ser o ponto mais espinhoso. O pacto da COP28, em 2023, previu a transição para fora dos fósseis, mas a COP30 terminou sem menção explícita ao tema depois da objeção de países produtores de petróleo — o Brasil apresentou, no lugar, um roteiro voluntário de saída. Observadores avaliam que a presidência turco-australiana tenta evitar a repetição desse impasse.

O pano de fundo

A conferência se abre depois de um ano de desastres: enchentes no Nepal, ondas de calor na Europa e incêndios na Indonésia. Um El Niño forte deve atingir o pico ainda neste ano e pode fazer de 2026 ou 2027 o ano mais quente já registrado. Em setembro, a ONU alertou que o mundo está a caminho de ultrapassar 1,5 °C de aquecimento em relação ao período pré-industrial — o limite mais ambicioso do Acordo de Paris —, num cenário de ultrapassagem temporária que os cientistas chamam de overshoot.

Os números da transição, porém, não são todos ruins. Há dez anos, menos de 1 em cada 100 carros novos vendidos no mundo era elétrico; em 2025 a proporção foi de 1 em 4, e a previsão para 2026 é de 28%. No ano passado foram instalados mais de 600 GW de capacidade solar, mais de três quartos de toda a nova capacidade renovável, e 108 GW de baterias — 40% mais que em 2024, num estoque hoje onze vezes maior que o de 2021.

O desequilíbrio está em onde esse dinheiro entra. Economias emergentes e em desenvolvimento fora da China, onde vive quase dois terços da população mundial, receberam 18% do investimento global em energia limpa em 2025. Cerca de 600 milhões de pessoas na África seguem sem acesso à eletricidade, e projetos renováveis em países em desenvolvimento podem custar várias vezes mais para financiar que projetos idênticos em países ricos. A diferença, nesse caso, não está na tecnologia: está no custo do capital — o que explica por que boa parte da briga em Antália será sobre dinheiro, e não sobre metas.

Quem vai

Uma delegação do Congresso americano estará em Antália, mas o governo Trump não participa das negociações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja à Turquia na semana que vem.

Com informações da ONU News, do portal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (unfccc.int) e da AFP, via RTÉ.