O Banco Central voltou a baixar os juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo do mesmo tamanho, e a decisão foi tomada por unanimidade pelos sete integrantes do colegiado, presidido por Gabriel Galípolo.
O movimento era esperado pelo mercado. A dúvida dos analistas estava menos no corte e mais no recado sobre o que vem depois — e o comunicado evitou dar pistas.
O que diz o comunicado
O Copom afirmou que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações", sem se comprometer com novas reduções. O colegiado repetiu que o momento "demanda serenidade e cautela" e avaliou que os riscos para a inflação "permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista" — ou seja, a chance de surpresa para cima é maior que para baixo.
No cenário externo, o comitê citou a indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária de economias avançadas. Economistas apontam que a alta dos juros nos Estados Unidos é um dos fatores que podem limitar o espaço para novos cortes no Brasil.
Os números por trás da decisão
- IPCA de agosto: deflação de 0,32%
- Inflação em 12 meses: 4,22%, abaixo do teto da meta (4,5%)
- Projeção do BC para o horizonte relevante (1º trimestre de 2028): 3,2%
- Boletim Focus: inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027
Segundo o comunicado, tanto a inflação cheia quanto a média dos núcleos desaceleraram e ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância. Foi esse alívio que abriu espaço para mais um corte, mesmo com a atividade econômica perdendo fôlego: o IBC-Br, indicador do BC que funciona como prévia do PIB, recuou 0,2% em julho.
O que esperar
A leitura predominante entre economistas ouvidos pela imprensa é que a Selic pode ficar em 13,75% até o fim do ano, embora parte do mercado veja espaço para novos cortes. Mesmo depois de cinco reduções, a taxa básica segue em patamar elevado, o que continua encarecendo o crédito para famílias e empresas.
Com informações de InfoMoney, O Tempo, Metrópoles e Agência Brasil.


