A deputada Haley Stevens, democrata que representa um distrito da região suburbana de Detroit desde 2019, anunciou no domingo, 1º de novembro, que apoia o republicano Mike Rogers na disputa pela cadeira de Michigan no Senado americano, decidida nesta terça-feira — abandonando Abdul El-Sayed, o democrata que a derrotou na primária do partido em agosto.
Stevens fez o anúncio em um vídeo publicado nas redes sociais. "Eu não pertenço à campanha do Abdul", disse ela, acrescentando que declarava apoio a Rogers "hoje". Mais cedo, no mesmo dia, havia participado de um culto na Perfecting Church, uma congregação negra de Detroit, ao lado de Rogers; a campanha dele publicou uma foto dos dois no local.
Seis dias depois de dizer o contrário
A reviravolta é recente e está registrada. Na semana passada, Stevens disse à CNN, sem rodeios: "Eu vou votar na chapa democrata." Durante a primária, havia prometido apoiar quem ganhasse a indicação — e foi o que fez depois de perder para El-Sayed.
O que rompeu a trégua foi um anúncio de campanha. Stevens pediu que El-Sayed repudiasse uma peça publicitária veiculada por um grupo externo que ela classificou como antissemita. Um evento conjunto, organizado com o deputado Jim Clyburn e El-Sayed, desmoronou na mesma disputa. A deputada Debbie Dingell, que ajudou a montar o encontro, disse que foi ela quem o cancelou: "Fui eu que puxei o freio, porque tinha virado uma distração enorme." Dingell afirmou que pediu a Stevens que não comparecesse, e que Stevens concordou.
O noivo de Stevens, Jason Turkish, já declarou que pretende votar em Rogers.
Uma cadeira que pode definir o Senado
A vaga de Michigan está aberta: o democrata Gary Peters deixa o cargo e não há candidato à reeleição na disputa. É uma das poucas que vão definir qual partido controla o Senado nos próximos dois anos, e as duas campanhas a tratam como apertada.
A reação se dividiu pelas linhas esperadas — e um pouco além. O presidente Donald Trump elogiou Stevens nas redes sociais por demonstrar uma "lealdade grande e quase sem precedentes" a Michigan. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, chamou o apoio de "traição desprezível" e descreveu Rogers como instrumento de Trump e de doadores bilionários. Virgie Rollins, que preside o caucus negro do Comitê Nacional Democrata (DNC), foi mais direta: classificou Stevens como "uma vendida que usou os negros de Michigan em um golpe político" e disse que os democratas estão "prontos para eleger Abdul na terça-feira".
El-Sayed preferiu não entrar na briga. Disse que não "pensa em Haley Stevens" e que está concentrado no que os eleitores lhe trazem — preço da gasolina, custo do supermercado, qualidade do ar e da água. Sobre a dissidência dentro do próprio partido, foi breve: "sempre vai haver gente com opiniões diferentes, e elas têm direito a isso."
Apoios entre partidos adversários não são inéditos na política americana. Mas um apoio dado por uma parlamentar em exercício contra o candidato do próprio partido, numa disputa que pode decidir o controle da Casa e a 24 horas da abertura das urnas, é outra coisa. Se isso move votos nos condados de Oakland e Wayne — os subúrbios que Stevens conhece melhor — é a pergunta que terça-feira responde.
Com informações de ABC News e Bridge Michigan.




