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El Salvador tem cerca de 1.300 soldados no Haiti e anuncia um efetivo de mais de 2.000 para resgatar quatro militares desaparecidos

Os quatro aerotécnicos da Força Aérea salvadorenha perderam contato em 18 de outubro, depois de uma emboscada em Croix-des-Bouquets, ao norte de Porto Príncipe. O contingente cresceu com 690 militares chegados na terça-feira.

Por Redação RecortNews
O presidente Nayib Bukele ao lado de militares salvadorenhos em um ato em San Salvador, em junho de 2019.
O presidente Nayib Bukele ao lado de militares salvadorenhos em um ato em San Salvador, em junho de 2019.Foto: Casa Presidencial El Salvador/Wikimedia Commons, CC0

O governo de El Salvador anunciou na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, que vai manter no Haiti "o efetivo operacional de mais de dois mil soldados" para localizar e resgatar quatro aerotécnicos da Fuerza Aérea Salvadoreña (FAES, a Força Aérea de El Salvador) desaparecidos desde 18 de outubro. O comunicado da Cancillería (a chancelaria salvadorenha), divulgado por veículos locais e internacionais, não fixou prazos nem descreveu o estágio das buscas.

O número anunciado é maior do que o registrado pelas fontes operacionais. Segundo dados oficiais citados pela agência EFE, o contingente salvadorenho no país caribenho chegou a cerca de 1.300 militares depois que um grupo de 690 aterrissou na terça-feira, 27 de outubro. Antes da emboscada, El Salvador contribuía com pouco mais de uma centena de efetivos para a força multinacional.

É, em qualquer das duas contas, o maior envio de tropas de um único Estado ao Haiti desde o encerramento, em 2017, da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que havia operado desde 2004.

A emboscada de 18 de outubro

Os quatro militares perderam contato em 18 de outubro, quando o veículo blindado em que viajavam foi atacado com armas de alto calibre e explosivos no bairro Santo, em Croix-des-Bouquets, ao norte de Porto Príncipe. Voltavam de uma compra de alimentos em um mercado. Segundo a reconstituição publicada pelo Infobae, tropas internacionais tentaram chegar ao local e não conseguiram, nem por terra nem por ar, por causa dos tiros.

Os quatro integram a Task Force Libertad II, parte da Gang Suppression Force (GSF), a força contra as gangues criada pela ONU em substituição à missão liderada pelo Quênia. Sua função declarada era técnica e humanitária — evacuações médicas e proteção de helicópteros e veículos —, não o combate urbano.

Autoridades e analistas atribuem o sequestro à gangue 400 Mawozo, com histórico de sequestros coletivos. A aliança Viv Ansanm, de que ela faz parte, controla, segundo diferentes estimativas, mais de 80% da capital haitiana.

Em 24 de outubro, The New York Times informou que restos carbonizados encontrados nos arredores de Porto Príncipe poderiam ser dos militares. O presidente Nayib Bukele descartou a hipótese nas redes sociais: citou a presença de um menor de idade entre os restos, de uma pessoa muito mais alta que seus soldados e de uniformes militares estrangeiros. A força apoiada pela ONU disse que não confirmaria identidades sem prova forense oficial.

"O governo prefere calar e agir"

Bukele já havia advertido os chefes das gangues de que, se os quatro homens não voltassem vivos, enfrentariam uma ofensiva como a que ele aplicou no próprio país.

Na quarta-feira, segundo o comunicado da chancelaria, o presidente falou por telefone com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé, sobre a operação e a continuidade da missão salvadorenha. Agradeceu o apoio das autoridades haitianas, das forças de segurança locais e da população, e reiterou o compromisso de seu governo com a cooperação em segurança.

Uma fonte do governo salvadorenho disse ao jornal haitiano Le Nouvelliste que o envio é feito "em comunicação com o governo haitiano", descreveu o Haiti como "um país amigo que ajuda" e afirmou que "não é uma invasão do país". Questionada sobre o sigilo em torno da operação, a mesma fonte respondeu: "O governo prefere calar e agir".

O gabinete de Fils-Aimé não havia se manifestado publicamente sobre a operação de resgate. A EFE anotou que o volume de tropas sugere um alcance maior que o combate às gangues e que o envio fica fora do mandato que o Conselho de Segurança das Nações Unidas fixou para a GSF em setembro de 2025.

Uma força multinacional a um terço do previsto

O tamanho da GSF segue muito abaixo do planejado. A EFE a descreve com mais de mil efetivos de El Salvador, Guatemala, Jamaica, Mongólia, Sri Lanka e Chade, sob o comando do major-general mongol Edernebat Batsuuri. A Reuters, citada pelo Infobae, calcula cerca de 2.000 integrantes, algo como um terço dos 5.500 previstos para a missão.

Veículos haitianos informaram a chegada de equipamento salvadorenho em três aviões nos últimos dias, e em Porto Príncipe se discutia a possibilidade de novos voos fretados. Uma lei salvadorenha autoriza a presença de seus militares no Haiti até o fim de 2027.

O contraste entre as duas cifras — o milhar de efetivos de toda a força multinacional e os mais de dois mil que um só país anuncia — é o dado que explica a inquietação dos especialistas ouvidos pela imprensa da região: uma operação desse tamanho, em bairros densamente povoados e com uma polícia local enfraquecida, levanta perguntas sobre a cadeia de comando e sobre o risco de confrontos armados diretos.

Com informações de EFE, Infobae, Le Nouvelliste, Reuters, The New York Times e swissinfo.