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AVE da Renfe atinge trem da Iryo parado na linha Madri–Sevilha e deixa pelo menos 64 mortos em Toledo

O choque foi às 8h54 no km 118, entre Mora e Urda; o trecho operava com sinalização lateral por causa de uma falha no sistema LZB, e a Adif suspendeu toda a alta velocidade entre Madri e a Andaluzia

Por Redação RecortNews
Um trem da Iryo passa em alta velocidade na linha Madri–Sevilha, perto do município de Mora, na província de Toledo, em 2023.
Um trem da Iryo passa em alta velocidade na linha Madri–Sevilha, perto do município de Mora, na província de Toledo, em 2023.Foto: Chencho Ruiz/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Um trem AVE da Renfe atingiu por trás um trem da operadora privada Iryo que estava parado na via, na manhã desta quarta-feira, no quilômetro 118 da linha de alta velocidade Madri–Sevilha, entre os municípios de Mora e Urda, na província espanhola de Toledo. Pelo menos 64 pessoas morreram, segundo informou o governo regional de Castilla-La Mancha, que advertiu que o número deve aumentar à medida que o resgate avança.

O choque ocorreu às 8h54, de acordo com o serviço de emergência 112. Duas composições do trem da Iryo descarrilaram e caíram em um talude ao lado da via. A Adif, gestora da infraestrutura ferroviária espanhola, descreveu o episódio como um "alcance" — o termo técnico para a colisão de um trem contra a traseira de outro — e interrompeu a circulação de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia por tempo indeterminado.

Quantas pessoas estavam nos dois trens

O AVE da Renfe envolvido era o serviço 2080, com 147 passageiros. O trem da Iryo era o serviço 6076, com 397 pessoas a bordo — mais de 540 passageiros entre as duas composições, além das tripulações.

A Castilla-La Mancha elevou seu plano de emergência regional, o Platecam, ao nível 2 e pediu a atuação da Unidade Militar de Emergências. Bombeiros de Alcázar de San Juan e de Orgaz, equipes de Proteção Civil, três helicópteros medicalizados e duas unidades de terapia intensiva móveis foram enviados ao local. O governo regional convocou doadores de sangue em Alcázar de San Juan, Ciudad Real e Toledo.

O prefeito de Urda, Manuel Galán, disse que a prefeitura preparava um pavilhão para receber feridos, a pedido da Proteção Civil.

A falha de sinalização

Segundo apuração do jornal El Español, o trecho operava sob bloqueio de sinalização lateral (BSL) por causa de uma falha no LZB, o sistema que fornece a proteção integral da via. Nesse regime, a autorização de avanço depende da leitura dos sinais laterais pelo maquinista, e não do controle contínuo embarcado. O erro humano é a hipótese inicial da investigação, que ainda não tem conclusão.

O jornal El País, citando fontes do governo, apurou que o trem da Renfe havia reduzido a velocidade e parado minutos antes do choque por causa de um problema de circulação na linha.

Reação do governo

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse estar "consternado com o grave incidente ferroviário" e manifestou "afeto, solidariedade e apoio" às vítimas e às famílias. Ele cancelou a participação no encerramento de um evento de saúde para acompanhar a ocorrência.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, foi primeiro ao centro de controle de Atocha, em Madri, e depois ao local do acidente. O presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, suspendeu a agenda e viajou à região. O Partido Popular, de Alberto Núñez Feijóo, suspendeu os atos de pré-campanha para as eleições de 29 de novembro em todo o país.

O terceiro desastre do ano

É o terceiro desastre ferroviário registrado na Espanha em 2026. Em 18 de janeiro, na mesma linha Madri–Sevilha, um acidente perto de Adamuz, na província de Córdoba, matou 46 pessoas e envolveu igualmente um trem da Iryo e um da Renfe. O acidente desta quarta-feira acontece pouco mais de nove meses depois.

A Renfe abriu troca e cancelamento gratuitos de bilhetes nos trechos afetados.

Com informações de El Español, CNN, Libertad Digital, Telecinco, Europa Press e El País.