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Trégua local entra em vigor em Olechki, cidade ocupada pela Rússia onde restaram cerca de 2 mil moradores

O cessar-fogo começou às 3h desta terça-feira na região de Kherson, para permitir a entrada de ajuda humanitária. A população da cidade caiu de cerca de 24 mil antes da invasão para perto de 2 mil, entre eles até 50 crianças.

Por Redação RecortNews
A praça central de Olechki, na região de Kherson, em foto de arquivo de 2007, antes da invasão russa.
A praça central de Olechki, na região de Kherson, em foto de arquivo de 2007, antes da invasão russa.Foto: Gottinight/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Um cessar-fogo limitado entrou em vigor às 3h desta terça-feira (27), no horário local (1h GMT), em torno de Olechki, cidade da região ucraniana de Kherson tomada pela Rússia no início da invasão, em 2022. A trégua vale para uma área restrita e tem um objetivo declarado: deixar entrar ajuda humanitária. Nenhuma das partes informou quanto tempo ela deve durar.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, em seu canal no Telegram, que as forças russas cessaram fogo "na direção de Kherson" e instituíram um "regime de silêncio" antes da operação humanitária. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, disse que um comboio humanitário terá passagem segura até a cidade.

Do lado ucraniano, o comissário de Direitos Humanos do Parlamento, Dmytro Lubinets, que chefia a equipe de negociação do país, escreveu no Telegram que a Ucrânia está "cumprindo seus compromissos" e que "as partes estão respeitando os acordos que alcançamos".

A agência AFP informou que não conseguiu confirmar de imediato se os combates na área diminuíram.

Quem negociou, e o que ainda não se sabe

O acordo foi anunciado na sexta-feira passada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que disse ter mediado o entendimento. Segundo ela, funcionários civis dos dois países vão visitar os moradores em suas casas para avaliar de que ajuda precisam, e quem quiser deixar a cidade receberá transporte até o destino escolhido — alguns para a Rússia, outros para a Ucrânia. Do lado russo, a interlocutora foi a comissária de Direitos Humanos Yana Lantratova.

Três pontos seguem sem resposta pública: nem Moscou, nem Kiev, nem Washington disseram quem vai fiscalizar o cessar-fogo, qual é o tamanho da operação humanitária, ou por quanto tempo o silêncio vale. A rede de TV americana Newsmax informou ter recebido acesso exclusivo para acompanhar observadores na entrada da cidade, na quinta-feira.

Uma cidade de 2 mil pessoas

Olechki está na margem sul do rio Dnipro, na parte da região de Kherson que permaneceu ocupada depois de a Ucrânia retomar a capital regional, em 2022. Pelas estimativas ucranianas e americanas, a população caiu de cerca de 24 mil habitantes antes da invasão para perto de 2 mil, entre eles até 50 crianças.

Ex-moradores relataram à AFP, no início deste ano, falta de comida e de medicamentos — sem farinha para fazer pão, com gente caçando pombos — e dificuldade para sair. A cidade também foi fortemente atingida pela inundação provocada pela destruição da barragem de Kakhovka, em 2023.

A Ucrânia acusa a Rússia de impedir que os moradores deixem a área; Moscou nega. Lantratova afirmou que a maior parte de quem queria sair já saiu, por vontade própria. O Exército ucraniano diz que fará o possível para ajudar e retirar quem ficou, e Kiev tem usado drones para entregar remédios e alimentos na cidade.

Guerra segue no resto do país

A trégua é geograficamente estreita, e o restante da frente não parou. Na manhã desta terça-feira, a Força Aérea ucraniana emitiu quase uma dezena de alertas de lançamento de mísseis balísticos em direção a Kiev. O prefeito da capital, Vitaly Klitschko, disse que um ataque atingiu a Ponte Sul, uma das principais da cidade, e danificou a estrutura do metrô que passa por ela.

A guerra está no quinto ano, e a Rússia ocupa cerca de um quinto do território ucraniano. As conversas trilaterais entre Washington, Moscou e Kiev, interrompidas por meses, devem ser retomadas em novembro.

Com informações de AFP (publicada por The Manila Times, Malay Mail e Asharq Al-Awsat), do Ministério da Defesa da Rússia e de declarações de Dmytro Lubinets reproduzidas pelo Democrata.