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Cultura

Engenheiro da OpenAI é acusado de esconder um gravador de áudio criptografado na sala de reuniões da diretoria

A procuradoria diz que Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, embrulhou o aparelho em papel higiênico e o plugou numa porta USB atrás de uma televisão por volta de 28 de setembro. Ele pode pegar até cinco anos de prisão e tem audiência de custódia marcada para 19 de outubro.

Por Redação RecortNews
O prédio de escritórios da 1515 Third Street, no bairro de Mission Bay, em São Francisco, que abrigava a sede da OpenAI quando a foto foi feita, em junho de 2025.
O prédio de escritórios da 1515 Third Street, no bairro de Mission Bay, em São Francisco, que abrigava a sede da OpenAI quando a foto foi feita, em junho de 2025.Foto: Coolcaesar/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Em 30 de setembro, funcionários da OpenAI que abriram uma sala de reuniões da diretoria no escritório da empresa em São Francisco encontraram um gravador de áudio embrulhado em papel higiênico e plugado numa porta USB atrás de uma televisão. O conteúdo estava criptografado. A empresa concluiu que o aparelho havia sido instalado dois dias antes.

Na terça-feira, 13 de outubro, o homem acusado de tê-lo colocado ali fez sua primeira aparição na corte federal de São Francisco. O U.S. Attorney's Office for the Northern District of California (a procuradoria federal do distrito norte da Califórnia) o identificou como Abdulrahman Alfozan, 35 anos, cidadão saudita que trabalhava como engenheiro na OpenAI desde julho de 2025. Ele foi preso na sexta-feira, 9 de outubro, e desde então foi demitido.

A acusação é de usar, ou tentar usar, aparelho eletrônico, mecânico ou de outro tipo para interceptar comunicações orais, com base no artigo 2511(1)(b) do título 18 do código federal americano. A pena máxima é de cinco anos de prisão, US$ 250 mil de multa e três anos de liberdade assistida. Uma denúncia é uma acusação, não uma condenação, e Alfozan é presumido inocente até que o governo prove o caso.

O que a denúncia descreve

Pelo relato da procuradoria, Alfozan não tinha nada que fazer naquela sala. Imagens de câmeras de segurança o colocaram perto dela em várias datas antes de o aparelho aparecer, embora ele não tivesse autorização para entrar nem para participar das reuniões ali realizadas — encontros que, segundo a procuradoria, tratavam rotineiramente de assuntos técnicos, comerciais e estratégicos sigilosos.

A denúncia também afirma que, nos dias anteriores a 28 de setembro, ele usou uma ferramenta corporativa de produtividade para perguntar sobre endereços de prédios, salas de reunião, capacidade das salas, agendas e onde ocorriam as reuniões da liderança e com parceiros.

Uma segunda linha da acusação envolve uma conta de chatbot registrada no nome da esposa dele, que, segundo a denúncia, compartilhava identificadores com a conta dele próprio. Entre 24 e 30 de setembro, afirma a procuradoria, essa conta recebeu comandos sobre como montar, instalar, testar e esconder um gravador de áudio. Dois deles, de 27 e 28 de setembro, mencionavam o cabeçalho e o endereço MAC exatamente do aparelho depois recuperado.

A essa altura a OpenAI já havia deixado o gravador no lugar e instalado uma câmera. Em 5 de outubro, diz a denúncia, as imagens registraram Alfozan entrando na sala e olhando atrás da televisão. No mesmo dia, a segurança da empresa achou uma bolsa que ele havia deixado sem vigilância em outra sala; dentro estavam um gravador semelhante, sua carteira e seu documento de identidade.

Como o aparelho foi descoberto

A OpenAI disse que usou seus próprios modelos para analisar o aparelho e rastrear sua origem, e foi assim que chegou ao funcionário que o havia plantado. A empresa afirmou ao TechCrunch que não há "nenhum indício de que essa pessoa tenha acessado ou extraído indevidamente pesos de modelos", e disse o mesmo a respeito de código-fonte e dados de clientes.

A companhia descreveu o que encontrou como um "sofisticado aparelho de gravação escondido dentro de um dos nossos escritórios", comunicou o caso ao FBI (a polícia federal americana) e demitiu o funcionário. Um porta-voz, Nate Evans, disse ao TechCrunch que Alfozan entrou na empresa em julho de 2025 e trabalhava no time de produto.

"Uma questão de segurança nacional"

A linguagem do governo foi notavelmente ampla para uma denúncia com um único crime de interceptação. O procurador Craig Missakian disse que, "para nós, é uma questão de segurança nacional". O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que o órgão "vê essa missão como uma das nossas maiores prioridades de contrainteligência", e descreveu o objetivo do aparelho como capturar comunicações sensíveis sobre a tecnologia da empresa.

Scott Schelble, agente especial responsável pelo escritório do FBI em São Francisco, disse que o órgão "segue firme no compromisso de proteger pesquisa sensível e tecnologia proprietária".

O que a denúncia não diz é para que serviriam as gravações, nem se alguém fora da empresa as receberia. Nenhum motivo foi estabelecido, e a investigação do FBI continua.

O caso está com a seção de Segurança Nacional, Cibernética e Processos Especiais da procuradoria. Alfozan volta ao tribunal em 19 de outubro, para uma audiência sobre sua prisão, diante do juiz federal Alex G. Tse.

Com informações da procuradoria federal do distrito norte da Califórnia, do TechCrunch e da Associated Press.