O enviado econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, e os dois líderes da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel e Tino Chrupalla, preparam um encontro para discutir a retomada do fornecimento de gás russo à Alemanha. A informação é de uma reportagem exclusiva da Reuters, publicada na sexta-feira (18) e baseada em fontes ouvidas pela agência.
Segundo a Reuters, a reunião poderia acontecer já em março e está condicionada a um ponto: só ocorreria se antes houver um acordo-quadro de paz entre Rússia e Ucrânia. Entre os locais cogitados estão Israel, os Emirados Árabes Unidos e a Índia.
Dmitriev preside o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e tem sido o interlocutor de Moscou em conversas econômicas com o Ocidente. Procurados pela agência, tanto ele quanto um porta-voz da AfD não quiseram comentar o encontro.
O que está em jogo
O assunto central seria a volta do gás russo pelos gasodutos Nord Stream 1 e 2, danificados por explosões em setembro de 2022 e desde então fora de operação. Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia respondia por mais da metade das importações alemãs de gás.
O caminho para isso, hoje, é estreito em duas frentes:
- o chanceler Friedrich Merz já descartou publicamente uma retomada dos gasodutos;
- a União Europeia reduziu drasticamente a compra de energia russa desde 2022 e tem previsto encerrar por completo as importações de gás do país no ano que vem.
A Reuters apurou ainda que os organizadores esperavam a presença dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Um funcionário do governo dos Estados Unidos disse à agência que os diplomatas americanos não têm conhecimento de nenhuma reunião desse tipo.
O encontro e as urnas
A conversa vem à tona dias depois de a AfD ficar em primeiro lugar na eleição estadual de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no domingo (20) — o estado por onde o Nord Stream chega em terra, no litoral do mar Báltico.
No sábado (19), Dmitriev associou explicitamente as duas coisas. "Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental vai prosperar de novo quando, pelo trabalho conjunto com a Alternativa para a Alemanha, voltar o acesso ao gasoduto Nord Stream, barato e confiável", disse ele, em declaração divulgada pela agência estatal russa Tass e reproduzida pelo portal Caliber.Az.
A combinação — um partido em alta numa região que perdeu a infraestrutura e um enviado russo que oferece devolvê-la — é o que dá peso político ao encontro, ainda que ele dependa de uma paz que não existe.
Com informações da Reuters, do Kyiv Independent, da agência Tass e do portal Caliber.Az.



