O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou no sábado, 7 de novembro, a criação de uma força-tarefa dedicada a estrangular as rotas terrestres do Irã. Batizada de Iron Gate, ela foi constituída por determinação do almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, e é um grupo pequeno — cerca de 20 pessoas, civis e militares — sediado em Tampa, na Flórida.
A tarefa não é operar navios, e sim articular agências. A Iron Gate vai coordenar-se com outros órgãos do governo americano para barrar a passagem de armamento avançado, tecnologia de uso dual, materiais sob sanção e receitas ilícitas pelas fronteiras terrestres iranianas e pelo mar Cáspio, a via que liga o Irã à Rússia e a países da Ásia Central.
Por que o mar não bastou
O bloqueio americano aos portos iranianos é o instrumento central da campanha iniciada em fevereiro. Pelas contas do próprio CENTCOM, ele impediu o Irã de exportar mais de US$ 25 bilhões em petróleo bruto nos últimos meses. Dados de rastreamento marítimo compilados pela Bloomberg indicam que o país não carregou petróleo bruto nem em setembro nem em outubro — uma paralisação completa sem precedentes na história da República Islâmica.
O que o cerco marítimo não alcança é a terra. Uma investigação da Reuters citada pela imprensa americana aponta que o Irã importou cerca de US$ 2 bilhões em equipamentos, explosivos e caminhões de carga desde janeiro de 2025, por meio de uma rede discreta de agências militares. É esse caminho que a nova força-tarefa pretende fechar.
Teerã mantém Ormuz fechado
O Irã condiciona o fim das hostilidades ao levantamento do bloqueio, e diz que o Estreito de Ormuz continuará fechado enquanto Washington não atender a suas exigências. Nos últimos dias, Teerã abriu exceções pontuais: navios de China, Índia, Iraque e Catar foram liberados das restrições na passagem.
O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que as forças do país estão em alerta mais alto do que no início do conflito, hoje em seu nono mês. Em 4 de novembro, o líder supremo, aiatolá Mojtaba Hosseini Khamenei, disse que o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos não mudaria a posição iraniana e chamou de "gravemente equivocada" a expectativa de uma virada na política americana.
Ao mesmo tempo, a diplomacia não parou: o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, falou com ministros das Relações Exteriores de 12 países em 48 horas, segundo o Gulf News.
O cerco por dentro e por fora
A escalada militar convive com desgaste político em Washington. O vice-presidente JD Vance atribuiu à guerra a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, e candidatos do próprio partido ao Senado passaram a defender o fim da campanha. Donald Trump reconheceu o peso do conflito no resultado, mas disse não se arrepender de tê-lo iniciado, e confirmou novos ataques a um sistema de defesa antiaérea iraniano, que classificou como "menores".
No mesmo 7 de novembro, o CENTCOM informou ter inutilizado o cargueiro M/V Huda, de bandeira de São Cristóvão e Névis, no Golfo de Omã, sob a alegação de que a tripulação ignorou advertências ao tentar furar o bloqueio depois de passar por um porto iraniano.
Com informações de Kurdistan24, Anadolu, International Business Times, Gulf News e Al Jazeera.




