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Economia

Fed sobe os juros pela primeira vez desde 2023

Votação unânime de 12 a 0 eleva a taxa básica americana em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4%; projeção mediana dos dirigentes indica mais uma alta neste ano

Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, em retrato oficial
Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, em retrato oficialPhoto: Federal Reserve/Wikimedia Commons, public domain

O Federal Reserve (o banco central americano) subiu os juros nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, e mudou de direção pela primeira vez em mais de três anos, com a inflação teimosamente acima da meta.

O Federal Open Market Committee (FOMC, o comitê de política monetária do Fed) elevou a faixa-alvo da taxa dos fed funds em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4%. É a primeira alta desde julho de 2023. A decisão foi unânime, por 12 votos a 0.

O que diz o comunicado

O diagnóstico sobre a economia foi positivo. O comitê descreveu uma atividade em expansão "em ritmo sólido", com consumo interno resiliente, forte crescimento da produtividade e criação de vagas acompanhando o aumento da força de trabalho.

O problema são os preços. O comunicado afirma que a inflação "continua elevada" e apresenta a alta como forma de apoiar "um retorno mais tempestivo" à meta de 2%.

As projeções

O Resumo de Projeções Econômicas divulgado com a decisão mostra quanto caminho os dirigentes ainda veem pela frente:

Projeção mediana 2026 2027 2028 Longo prazo
Taxa dos fed funds 4,1% 4,1% 3,9% 3,2%
Inflação (PCE) 3,7% 2,3% 2,1% 2,0%
Núcleo do PCE 3,4% 2,5% 2,2%
Desemprego 4,1% 4,1% 4,1% 4,2%
Crescimento do PIB 2,3% 2,4% 2,2% 2,0%

Uma mediana de 4,1% para o fim de 2026 fica acima do meio da nova faixa, o que indica mais uma alta de 0,25 ponto em outubro ou dezembro. Depois, a mediana mantém os juros estáveis em 2027 e prevê cortes em 2028.

A distância entre a inflação projetada de 3,7% neste ano e a meta de 2% explica a guinada: os dirigentes só veem a inflação plenamente de volta à meta mais adiante nesta década.

Warsh: "alta demais por tempo demais"

Na entrevista coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que "a inflação está alta demais, e há tempo demais", segundo a Fox Business e a Kiplinger. Ele afirmou que o comitê não vai antecipar suas próximas decisões e citou o mercado de trabalho mais firme, a falta de avanço contra a inflação e a situação geopolítica como razões para agir agora.

A reunião foi uma das primeiras grandes decisões sob Warsh, empossado em maio.

Por que importa

Juros mais altos encarecem hipotecas, financiamentos de carro e cartões de crédito nos Estados Unidos. Fora do país, um Fed mais duro tende a fortalecer o dólar e atrair investimentos para ativos americanos, pressionando moedas e bancos centrais de países emergentes — entre eles o real e o Banco Central do Brasil.

Com informações do Federal Reserve, Fox Business e Kiplinger.