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Economia

Governo americano prometeu mais de US$ 15 bilhões a produtores rurais nas semanas antes da eleição de terça

A maior parcela é um pagamento único de US$ 8 bilhões pelo custo do diesel, anunciado em 19 de outubro, com o galão a cerca de US$ 6,32 — perto de 70% acima de um ano antes

Por Redação RecortNews
Uma colheitadeira de milho de seis linhas em operação na fazenda John N. Mills and Sons, no condado de Hanover, Virgínia, em setembro de 2013.
Uma colheitadeira de milho de seis linhas em operação na fazenda John N. Mills and Sons, no condado de Hanover, Virgínia, em setembro de 2013.Foto: Lance Cheung/USDA via Wikimedia Commons, domínio público

O Department of Agriculture (USDA, o Ministério da Agricultura americano) prometeu a produtores rurais, criadores de gado e pescadores dos Estados Unidos mais de US$ 15 bilhões em pagamentos, garantias de crédito e compras nas semanas que antecedem a eleição de meio de mandato de 3 de novembro, segundo levantamento publicado pela agência Associated Press no domingo, 1º de novembro de 2026. O dinheiro chega a um campo prensado por dois lados ao mesmo tempo: as tarifas que encareceram máquinas e fertilizantes e a guerra no Irã, que levou o diesel a patamares inéditos para o produtor americano.

O presidente Donald Trump passou o domingo, dois dias antes da votação, em campanha em Iowa e no Kansas — dois estados agrícolas onde cadeiras historicamente republicanas aparecem agora como disputadas.

US$ 8 bilhões para a conta do combustível

O maior item isolado é o programa Harvest Fuel Relief (alívio de combustível na safra), anunciado em 19 de outubro por Trump e pela secretária de Agricultura, Brooke L. Rollins: US$ 8 bilhões em pagamentos únicos para compensar o que o órgão descreve como distúrbios temporários de mercado e alta nos custos de produção nesta colheita.

Os pagamentos são autorizados pelo Commodity Credit Corporation Charter Act, a lei que criou o fundo de crédito agrícola do governo americano, e serão administrados pela Farm Service Agency (FSA, a agência que executa os programas de apoio ao produtor). O USDA afirma que aplicará uma fórmula uniforme, cobrindo parte das perdas calculadas para a safra 2026, a partir de três insumos: a área plantada declarada à FSA, as estimativas de custo de produção do Economic Research Service e as produtividades e preços do World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), o relatório mensal de oferta e demanda agrícola do país.

As taxas por produto para as culturas do chamado Título I saem em novembro. O período de inscrição ainda não foi anunciado. Produtores de culturas fora dessa lista, incluindo hortifrúti e pesca, foram orientados a enviar ao órgão seus próprios dados de custo de combustível, para que sejam considerados na definição das taxas.

"Este investimento de US$ 8 bilhões vai ajudar a trazer segurança aos nossos produtores durante esta colheita", disse Rollins no anúncio, que também descreveu Trump como "o presidente mais pró-produtor rural da minha vida".

O que mais está dentro dos US$ 15 bilhões

Segundo o levantamento da Associated Press, o restante está espalhado por outros sete anúncios:

  • ao menos US$ 5 bilhões em crédito garantido para criadores de gado e pescadores;
  • US$ 1,8 bilhão para produtores e proprietários inscritos em programas de conservação;
  • US$ 573 milhões para projetos de fabricação de fertilizantes;
  • até US$ 472,5 milhões em compras de produtos agrícolas, anunciadas em 29 de outubro;
  • US$ 86,6 milhões em apoio a projetos de hortifrúti;
  • US$ 57 milhões para ampliar a capacidade de abate e processamento de carne.

A compra de alimentos de 29 de outubro, feita pelo Agricultural Marketing Service com base na Section 32 — o dispositivo legal que permite compras públicas para sustentar o mercado —, está detalhada no comunicado do próprio órgão: US$ 165,5 milhões em lácteos, US$ 41 milhões em carne de porco, US$ 37 milhões em ervilha partida, US$ 30 milhões em amêndoas, US$ 29 milhões em lentilhas, US$ 25 milhões em uvas-passas, US$ 22 milhões em avelãs, US$ 21 milhões em arroz, US$ 20 milhões em cada um de frango, grão-de-bico e peixe-gato de cativeiro, US$ 12 milhões em merluza-do-pacífico e US$ 10 milhões em cada um de laranja, grapefruit e mix de frutas secas. O alimento vai para a rede de doação e para programas federais de assistência alimentar.

Em separado, o órgão diz que US$ 13,8 bilhões em pagamentos de rede de proteção referentes à safra 2025 estão chegando a produtores de milho, soja, trigo e arroz. No começo de 2026, um programa chamado Farmer Bridge Assistance pagou US$ 12 bilhões a mais de 560 mil produtores.

O outro lado da conta

O diesel custou em média cerca de US$ 6,32 por galão no país no fim de outubro, segundo a AAA, associação americana de automobilistas, contra algo em torno de US$ 3,62 um ano antes — alta de aproximadamente 70%, ou cerca de US$ 260 a mais para encher um tanque de 100 galões. Em Iowa, o preço na bomba estava perto de US$ 6,16, cerca de 80% acima do ano anterior.

A própria projeção de setembro do USDA colocou as despesas de produção agrícola de 2026 em US$ 492,8 bilhões, US$ 21,2 bilhões (4,5%) acima de 2025, com os gastos em combustíveis e óleo estimados 28,8% maiores.

Essa aritmética é o argumento a favor dos pagamentos e, para parte dos economistas, o argumento contra eles. Gregg Ibendahl, especialista em gestão rural da Kansas State University, calculou que o dinheiro "mais do que cobre o aumento do custo de combustível" — observando que um pagamento temporário do governo não mexe no que elevou esse custo.

"Vai ajudar, mas não vai tornar o produtor inteiro de novo"

As entidades do setor receberam o dinheiro e criticaram seu formato, em termos quase idênticos.

Aaron Lehman, presidente do Iowa Farmers Union — que apoiou candidatos democratas neste ciclo —, chamou a medida de "resposta de band-aid agora, duas semanas antes da eleição", que "não resolve o problema". Rob Larew, do National Farmers Union, disse que pagamentos únicos "não dão a estabilidade de que eles precisam para planejar o futuro". Matt Frostic, da National Corn Growers Association, pediu "soluções duráveis, bipartidárias e de longo prazo". A American Dairy Coalition foi a mais direta: "Vai ajudar, mas não vai tornar o produtor inteiro de novo", lembrando que a exposição de uma fazenda de leite ao combustível é o ano todo, e não só no plantio e na colheita.

John Boyd, fundador da National Black Farmers Association, disse que a medida "veio tarde demais".

Se o dinheiro move votos é pergunta diferente de se ele cobre uma conta de combustível. Os cientistas políticos ouvidos pela Associated Press duvidam: Michael Smith, da Emporia State University, notou que muitos eleitores rurais gostam mais de Trump do que de políticas específicas, e que "o próprio Trump não está na cédula este ano". Alexandra Middlewood, da Wichita State University, disse que os produtores com quem fala estão aliviados por seguir no negócio, mas leem os programas como socorros pontuais — e espera que os independentes decidam as disputas de terça.

Com informações da Associated Press, do Department of Agriculture dos Estados Unidos e da Newsweek.