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Guarda Revolucionária relata mais dois petroleiros atingidos no Estreito de Ormuz, e os EUA dizem que as rotas estão livres de minas

Teerã exige que os navios usem corredores que ela autoriza ao norte; Washington estimula a rota sul, onde já foram relatados navios atingidos por minas, por explosivos magnéticos e por projétil desde quarta-feira

Por Redação RecortNews
O Estreito de Ormuz em imagem de satélite da Nasa, com o Irã ao norte e a península de Musandam ao sul.
O Estreito de Ormuz em imagem de satélite da Nasa, com o Irã ao norte e a península de Musandam ao sul.Foto: Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC/Wikimedia Commons, domínio público

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou na sexta-feira (30) que outros dois petroleiros sofreram incidentes no Estreito de Ormuz — um na parte leste, outro na parte oeste — e foram depois detidos nas águas ao sul. Segundo a corporação, os dois navios navegavam com os sistemas de radar e de posicionamento desligados, tentavam sair por rotas às quais Teerã se opõe, contavam com apoio militar americano e seguiram viagem apesar de avisos repetidos por rádio.

A Guarda não informou nome, bandeira, causa dos incidentes nem a situação das tripulações.

O que está em disputa

A briga não é sobre um navio, e sim sobre quem autoriza a passagem na via por onde escoa parte decisiva do petróleo do mundo. O Irã sustenta que as embarcações devem se coordenar com as autoridades iranianas e usar corredores próximos à costa norte. Os navios que evitam esse controle têm usado a rota sul, estimulada por Washington.

O comandante do Comando Central americano (Centcom), almirante Brad Cooper, afirma que os corredores de navegação internacionalmente reconhecidos já estão livres de minas iranianas, que a Marinha do Irã foi destruída e que a Guarda Revolucionária não opera mais na via. Em 29 de outubro, o porta-voz da Guarda, general Abolfazl Mohebi, cobrou o contrário: "Prove sua alegação de desminagem no Estreito de Ormuz com provas independentes, não com um comunicado!"

Os incidentes desde quarta-feira

Na quinta-feira (29), a Guarda Revolucionária havia dito que três petroleiros explodiram e pegaram fogo após atingir minas na rota sul, e a Marinha iraniana relatou um quarto navio avariado e em chamas na parte leste do estreito. Autoridades iranianas afirmaram que todos estavam em áreas proibidas e inseguras. Não está claro se os dois navios citados na sexta-feira são embarcações adicionais.

No mesmo dia, o centro britânico de operações de comércio marítimo (UKMTO) informou que um barco pequeno fixou dois artefatos explosivos no casco de um petroleiro, acima da linha d'água. Os explosivos detonaram, provocaram incêndio na casa de máquinas e deixaram o navio momentaneamente sem propulsão, a cerca de 25 milhas náuticas a nordeste de Khasab, em Omã. O fogo foi apagado, a tripulação passou bem, não houve poluição relatada e o navio retomou a viagem. O Financial Times identificou a embarcação como Louise 1. Pelos registros disponíveis, é o primeiro ataque bem-sucedido com mina magnética no estreito desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro de 2026, e não se sabe quem o executou.

O Centro de Segurança Marítima de Omã informou ainda que a Marinha Real omanense retirou 25 tripulantes de um navio de bandeira do Panamá atacado e incendiado a cerca de 1,6 milha náutica de Musandam. A embarcação não foi identificada. Também na quinta-feira, por volta das 19h30 no horário local, um outro petroleiro foi atingido por um projétil na rota sul, sem feridos nem impacto ambiental, segundo o UKMTO; não se sabe quem atirou.

A mediação do Catar

Mediadores cataris voltaram a Teerã na sexta-feira com uma proposta revisada para encerrar a guerra. Segundo a CBS News, que cita uma fonte a par das conversas, há sinais de avanço, e a resposta iraniana era esperada para o fim da semana. Pela apuração do site Axios, os mediadores buscam um ponto comum sobre inspeções em instalações nucleares e alívio de sanções, mas as condições para abrir formalmente as negociações continuam em aberto.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi escreveu em 28 de outubro que "o Irã continua a dar uma chance à diplomacia". No dia seguinte, a agência semioficial Tasnim afirmou que Teerã não abandonará suas condições centrais para um cessar-fogo: fim do bloqueio americano aos portos iranianos, alívio de sanções e liberação de ativos congelados.

Em paralelo, o Axios informou que Estados Unidos e Israel avaliam ataques de grande escala contra o Irã depois das eleições americanas de meio de mandato, em 3 de novembro. A Associated Press, citando dois diplomatas, relatou que Washington avisou aliados da região sobre a possibilidade de novos ataques e de retaliação iraniana, sem decisão final tomada. O presidente Donald Trump disse na sexta-feira a uma rádio de Kansas City que a guerra vai acabar "em breve", sem dizer se por via diplomática ou militar, e que os Estados Unidos querem garantias de que o Irã nunca obterá uma arma nuclear.

O impasse tem um efeito que já aparece fora da região: enquanto as duas versões sobre a segurança do estreito seguem incompatíveis, cada armador precisa escolher entre a rota que Teerã autoriza e a que Washington diz estar limpa — e o seguro de casco cobra essa indefinição.

Com informações de Euronews, CBS News, Reuters, AFP, Associated Press, UKMTO, Axios e Financial Times.