Pular para o conteúdo
RecortNews
Mundo

O ENFEN prevê El Niño costeiro em magnitude extraordinária até fevereiro de 2027, com o evento se estendendo até junho

O relatório antecipa chuvas acima do normal na costa norte e central do Peru entre novembro e janeiro e, ao mesmo tempo, déficit na serra sul, que ameaça o nível do lago Titicaca.

Por Redação RecortNews
O rio Piura em sua passagem pela cidade de Piura, no norte do Peru, em 2017. É uma das bacias em que o ENFEN espera vazões acima do normal a partir de dezembro.
O rio Piura em sua passagem pela cidade de Piura, no norte do Peru, em 2017. É uma das bacias em que o ENFEN espera vazões acima do normal a partir de dezembro.Foto: Arturo Wesley Millones Pinto/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Comisión Multisectorial encargada del Estudio Nacional del Fenómeno El Niño (ENFEN, a comissão multissetorial peruana que estuda o fenômeno) informou na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, que o aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico diante da costa peruana vai se manter em magnitude extraordinária até fevereiro de 2027, para depois enfraquecer de forma gradual. Segundo o mesmo relatório, o episódio se prolongaria até junho de 2027, no fim do outono no Hemisfério Sul.

A previsão encaixa o pico do evento no pico da temporada de chuvas no Peru, que vai de janeiro a março. "El Niño va a continuar con una intensidad extraordinaria" ("O El Niño vai continuar com uma intensidade extraordinária"), resumiu a chefe do Senamhi (serviço nacional de meteorologia e hidrologia do Peru), Grinia Ávalos, em declarações à rádio RPP, nas quais citou anomalias de temperatura do mar superiores a 4 graus para os próximos meses.

Chuva no norte, seca no sul

O relatório descreve um país partido em dois. Entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o ENFEN espera chuvas acima do normal na costa norte, na costa central, na serra ocidental e na serra centro-ocidental, com episódios de intensidade moderada a forte. No verão de 2027, o excesso continuaria na costa norte e central e na serra noroeste, com a maior frequência e intensidade no extremo norte.

No mesmo período, a serra sul oriental, a serra centro-oriental e parte da Amazônia peruana teriam chuvas normais ou abaixo do normal. O déficit mais marcado é esperado na região do lago Titicaca.

Rios cheios e reservatórios vazios

A partir de dezembro, o ENFEN prevê vazões superiores ao normal nos rios da costa norte — Tumbes, Chira, Piura, La Leche e Jequetepeque —, uma tendência que se estenderia à costa central e alcançaria as bacias do Chillón, do Rímac e do Lurín, os três rios que atravessam Lima.

O quadro inverso aparece no sul: vazões normais ou menores na serra sul oriental e centro-oriental, afluentes do Titicaca abaixo do normal — o que ameaça o nível do lago — e descargas reduzidas nos rios Ucayali, Huallaga, Apurímac e Vilcanota. Vários reservatórios do sul seguem em níveis baixos, e a comissão alertou que um eventual déficit de chuvas comprometeria as reservas de água para a safra agrícola de 2027.

É o traço que distingue um El Niño costeiro forte de uma temporada de chuvas intensa qualquer: o mesmo evento que coloca Tumbes e Piura em risco de inundação deixa o altiplano sem água, e obriga a duas políticas de emergência opostas ao mesmo tempo.

Calor, ondas e pesca

As temperaturas do ar em toda a costa peruana seguem muito acima do habitual, com registros batendo recordes, segundo o relatório. O nível do mar permanecerá acima do normal nos próximos meses e, combinado com ondas anômalas, eleva o risco de inundação e erosão costeira, sobretudo em praias de baixa declividade; o ENFEN pediu atenção aos avisos especiais de ressaca da Dirección de Hidrografía y Navegación (DHN, a diretoria de hidrografia e navegação da Marinha peruana).

No mar, a anchoveta está mais profunda e mais perto da costa, o que reduz sua disponibilidade para aves guaneiras e lobos-marinhos. O peixe-serra, a samasa, o caranguejo jaiva áspera e o camarão langostino café seguem disponíveis na costa norte-centro, e o dourado (perico), o atum e os peixes-de-bico estão presentes ao longo de todo o litoral.

Recomendações

A comissão recomendou à população de áreas expostas a chuvas intensas, inundações e movimentos de massa que reforce a proteção das moradias e siga as orientações das autoridades locais. Aos governos, pediu o uso dos estudos de cenários de risco atualizados, construídos a partir dos avisos meteorológicos e das previsões sazonais, para preparar a resposta a desastres.

O ENFEN é o órgão que fixa oficialmente o estado de alerta do fenômeno no Peru e reúne, entre outras entidades, o Senamhi, o Instituto Geofísico del Perú, o Instituto del Mar del Perú, a Dirección de Hidrografía y Navegación, a Autoridad Nacional del Agua e o Instituto Nacional de Defensa Civil.

Com informações do ENFEN, Infobae Perú, EFE e RPP.