A Coreia do Norte lançou cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance nesta quinta-feira (29), por volta das 12h30 no horário local (3h30 em Brasília), da região de Wonsan, na costa leste do país, em direção ao Mar do Leste — o Mar do Japão. A informação é do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul, que não divulgou o modelo dos mísseis nem a distância percorrida.
Em Tóquio, o Ministério da Defesa japonês confirmou o lançamento de um provável míssil balístico e disse que ele caiu fora da zona econômica exclusiva do Japão. Segundo o comando sul-coreano, Seul, Washington e Tóquio estão compartilhando informações sobre os disparos e mantêm prontidão total.
"Nossos militares reforçaram a vigilância e a segurança em preparação para lançamentos adicionais", informou o Estado-Maior Conjunto em comunicado.
A mina na zona desmilitarizada
A salva chega no meio de uma disputa aberta em 21 de setembro, quando a explosão de uma mina na zona desmilitarizada (DMZ) feriu três soldados sul-coreanos. Uma investigação conduzida em conjunto por Seul e pela Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que as minas foram plantadas pelo Norte havia mais de um ano.
Pyongyang rejeita a conclusão. Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, acusou a Coreia do Sul de ter fabricado o episódio. Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e uma das vozes mais ativas do regime nas relações com Seul, classificou de desprezível a exigência sul-coreana de um pedido de desculpas e recusou uma oferta de equipamentos médicos.
Seul havia proposto conversas militares para restabelecer canais de comunicação com o Norte — ao mesmo tempo que mantém a cobrança pelo pedido de desculpas. Não está claro se Pyongyang vai aceitar.
O calendário diplomático
Os disparos ocorreram um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir que poderia se encontrar com Kim Jong-un ainda este ano. Essa aproximação direta entre Washington e Pyongyang alimenta em Seul a preocupação de ficar de fora de eventuais negociações sobre o programa nuclear norte-coreano.
Kim mantém desde 2024 uma linha dura em relação ao vizinho do sul, com a suspensão de praticamente todo o diálogo e da cooperação intercoreana. O padrão dos últimos anos é conhecido: testes de curto alcance funcionam como sinalização política de baixo custo, dirigidos tanto ao Sul quanto a quem negocia — e não violam nenhuma linha vermelha que obrigue uma resposta militar.
Com informações de Al Jazeera, Kyunghyang Shinmun e Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul.




