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Coreia do Norte dispara cerca de dez mísseis balísticos de Wonsan, um dia depois de Trump falar em encontro com Kim Jong-un

Lançamentos ocorreram por volta das 12h30 locais em direção ao Mar do Leste; o Japão diz que um dos mísseis caiu fora de sua zona econômica exclusiva, e Seul reforçou a vigilância.

Por Redação RecortNews
A cidade portuária de Wonsan, na costa leste da Coreia do Norte, fotografada em 2008.
A cidade portuária de Wonsan, na costa leste da Coreia do Norte, fotografada em 2008.Foto: stngiam/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

A Coreia do Norte lançou cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance nesta quinta-feira (29), por volta das 12h30 no horário local (3h30 em Brasília), da região de Wonsan, na costa leste do país, em direção ao Mar do Leste — o Mar do Japão. A informação é do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul, que não divulgou o modelo dos mísseis nem a distância percorrida.

Em Tóquio, o Ministério da Defesa japonês confirmou o lançamento de um provável míssil balístico e disse que ele caiu fora da zona econômica exclusiva do Japão. Segundo o comando sul-coreano, Seul, Washington e Tóquio estão compartilhando informações sobre os disparos e mantêm prontidão total.

"Nossos militares reforçaram a vigilância e a segurança em preparação para lançamentos adicionais", informou o Estado-Maior Conjunto em comunicado.

A mina na zona desmilitarizada

A salva chega no meio de uma disputa aberta em 21 de setembro, quando a explosão de uma mina na zona desmilitarizada (DMZ) feriu três soldados sul-coreanos. Uma investigação conduzida em conjunto por Seul e pela Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que as minas foram plantadas pelo Norte havia mais de um ano.

Pyongyang rejeita a conclusão. Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, acusou a Coreia do Sul de ter fabricado o episódio. Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e uma das vozes mais ativas do regime nas relações com Seul, classificou de desprezível a exigência sul-coreana de um pedido de desculpas e recusou uma oferta de equipamentos médicos.

Seul havia proposto conversas militares para restabelecer canais de comunicação com o Norte — ao mesmo tempo que mantém a cobrança pelo pedido de desculpas. Não está claro se Pyongyang vai aceitar.

O calendário diplomático

Os disparos ocorreram um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir que poderia se encontrar com Kim Jong-un ainda este ano. Essa aproximação direta entre Washington e Pyongyang alimenta em Seul a preocupação de ficar de fora de eventuais negociações sobre o programa nuclear norte-coreano.

Kim mantém desde 2024 uma linha dura em relação ao vizinho do sul, com a suspensão de praticamente todo o diálogo e da cooperação intercoreana. O padrão dos últimos anos é conhecido: testes de curto alcance funcionam como sinalização política de baixo custo, dirigidos tanto ao Sul quanto a quem negocia — e não violam nenhuma linha vermelha que obrigue uma resposta militar.

Com informações de Al Jazeera, Kyunghyang Shinmun e Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul.