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Economia

IFI projeta déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027 e vê bloqueio de R$ 35,7 bilhões pela frente

Órgão do Senado contesta o superávit de R$ 18,6 bilhões previsto no Orçamento enviado ao Congresso; as duas contas se separam por cerca de R$ 105 bilhões

Por Redação RecortNews
Notas e moedas de real, a moeda brasileira.
Notas e moedas de real, a moeda brasileira.Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Orçamento que o governo mandou ao Congresso em agosto promete fechar 2027 com superávit primário de R$ 18,6 bilhões. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado, refez a conta e chegou a outro número: um déficit de R$ 86,1 bilhões.

A diferença entre as duas projeções passa de R$ 100 bilhões e está no centro do Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 116, divulgado em 17 de setembro.

De onde vem a distância

O desencontro não começa na despesa, e sim nas premissas macroeconômicas que sustentam a estimativa de arrecadação.

O governo trabalha com crescimento de 2,5% do PIB em 2027. A IFI projeta 1,8%, e o boletim Focus, que reúne as apostas do mercado, está ainda abaixo disso, em 1,5%. Na inflação, a ordem se inverte: a proposta orçamentária adota IPCA de 3,6%, contra 4,0% da IFI e 4,3% do Focus.

Crescimento menor significa massa salarial, consumo e lucro menores — e, na ponta, menos imposto arrecadado do que o Orçamento supõe. É por isso que uma divergência de sete décimos no PIB se transforma em dezenas de bilhões na linha final.

O bloqueio que a IFI enxerga

Para que a meta formal seja perseguida, o relatório estima que o governo federal terá de contingenciar ao menos R$ 35,7 bilhões ao longo de 2027 — e esse cálculo ainda não inclui os R$ 33,8 bilhões destinados ao Fundo de Compensação do Imposto Seletivo.

Bloqueio, vale lembrar, não é corte definitivo: é despesa travada no meio do caminho, que pode ser liberada se a arrecadação melhorar. Na prática, porém, recai quase toda sobre investimento e custeio discricionário, a fatia mais estreita do Orçamento.

O que não pode ser tocado

A rigidez do gasto federal aparece nos números das despesas obrigatórias previstas para 2027:

  • Bolsa Família: R$ 157,1 bilhões
  • BPC: R$ 145,1 bilhões
  • Abono salarial e seguro-desemprego: R$ 104,7 bilhões
  • Precatórios: R$ 97,7 bilhões, R$ 24,6 bilhões a menos que em 2026
  • Pé-de-Meia: R$ 10,5 bilhões

Somadas, essas linhas explicam por que o ajuste tende a se concentrar onde há discricionariedade — e por que o espaço é pequeno.

A dívida no horizonte

A IFI avalia que, mesmo que a meta fiscal seja formalmente cumprida, o resultado ficará longe do necessário para estabilizar a relação entre dívida e PIB. A dívida bruta do setor público está em 82,5% do PIB e pode chegar a 86,4% ao fim de 2027, segundo o relatório.

O documento também associa a situação fiscal ao prêmio de risco exigido por quem compra títulos brasileiros: os juros reais altos, argumenta a instituição, não se explicam apenas pela política monetária.

A proposta orçamentária para 2027 ainda será analisada e votada pelo Congresso Nacional, que pode alterar receitas, despesas e a própria meta.

Com informações da Agência Senado e da Instituição Fiscal Independente (Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 116).