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Economia

Irã isenta navios da China, da Índia, do Iraque e do Catar das restrições em Ormuz, por onde passaram 10,23 milhões de barris por dia

Pelo estreito saíram 10,23 milhões de barris de petróleo do Golfo por dia em outubro, 42% deles para a China e 13% para a Índia, segundo a consultoria Kpler

Por Redação RecortNews
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, entre o Irã, ao norte, e a península Arábica, ao sul, registrada pelo sensor MODIS do satélite Terra em dezembro de 2020. O canal tem cerca de 34 km na parte mais estreita.
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, entre o Irã, ao norte, e a península Arábica, ao sul, registrada pelo sensor MODIS do satélite Terra em dezembro de 2020. O canal tem cerca de 34 km na parte mais estreita.Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC/Wikimedia Commons, domínio público

O Irã isentou navios da China, da Índia, do Iraque e do Catar das restrições que impôs ao tráfego no Estreito de Ormuz, a passagem por onde escoa a maior parte do petróleo do Golfo. A informação foi dada por Amir Hayat-Moghaddam, vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, em entrevista à agência estudantil Isna divulgada na quarta-feira (4).

"Os navios desses países passam livremente, e os americanos também não os interceptam", disse Hayat-Moghaddam.

Teerã fechou o estreito na prática no começo da guerra contra Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro deste ano. Em julho, Washington reimpôs um bloqueio naval aos portos do sul do Irã. As isenções a países considerados amigos começaram semanas depois do início do conflito: em abril, o comando militar iraniano já havia declarado o "irmão" Iraque fora das restrições.

O que cada país deu em troca

As contrapartidas, segundo o parlamentar, não são iguais:

  • Índia — fornecimento de medicamentos; os navios indianos pagam taxa de trânsito ao Irã.
  • China — apoio político; os navios chineses também pagam a taxa.
  • Catar — apoio diplomático e mediação das conversas com Washington; as embarcações catarianas passam sem pagar.
  • Iraque — isenção mantida desde abril, sem informação sobre cobrança.

Para Wolfgang Pusztai, analista de segurança e ex-adido de defesa da Áustria na Líbia, o arranjo pode render receita relevante a Teerã, já que a China compra perto de 90% das exportações de petróleo iraniano. Nader Hashemi, professor de política do Oriente Médio na Universidade Georgetown, avalia que o Irã cobra uma taxa de trânsito ou um percentual sobre o valor da carga. Rouzbeh Parsi, pesquisador da Universidade de Lund, resume o objetivo como "abrir buracos em um embargo" para fazer entrar e sair bens essenciais.

Os números do estreito

Em outubro, 10,23 milhões de barris por dia de petróleo do Golfo cruzaram Ormuz, de acordo com Muyu Xu, analista sênior de petróleo da Kpler. Cerca de 42% desse volume foi para a China e 13% para a Índia.

O efeito das isenções aparece nos fluxos de quem foi beneficiado:

  • o Iraque passou de 1,69 milhão para 2,65 milhões de barris por dia entre agosto e outubro;
  • o Catar não embarcou gás natural liquefeito pelo estreito em agosto e movimentou 1,8 milhão de toneladas em outubro;
  • no mesmo intervalo, o petróleo catariano caiu de 517 mil para 193 mil barris por dia.

A própria Kpler avisa que os números podem estar subestimados: até 2 milhões de barris por dia de petróleo do Oriente Médio não foram rastreados no período.

Bloqueio americano e 120 navios atingidos

O Comando Central dos Estados Unidos afirma que o bloqueio vale para "todas as embarcações de todas as nações" que entrem ou saiam de portos iranianos, com inspeção prévia para carga humanitária. Não está claro se Washington aceitará as isenções iranianas — e, segundo Pusztai, aceitá-las tornaria o bloqueio mais difícil de sustentar.

Desde o início da guerra, mais de 120 navios comerciais foram atingidos na região, e outubro foi o pior mês da série, conforme dados da Organização Marítima Internacional (OMI) e do UK Maritime Trade Operations. Em 30 de outubro, o metaneiro catariano Al Mayeda foi atingido por "objetos não identificados" no Golfo, segundo a própria armadora, a Qatar Gas Transport Company.

O mercado reagiu pouco. Para Chris Beauchamp, analista-chefe do IG Group, as isenções "fazem apenas uma diferença limitada no momento", porque os preços já embutem a hipótese de um acordo de paz. O fim do bloqueio é uma das exigências de Teerã para abrir conversas mais amplas com os Estados Unidos, inclusive sobre o programa nuclear: a proposta iraniana em discussão com mediação do Catar prevê reabrir o estreito se Washington cumprir sete condições.

Com informações da Al Jazeera, da agência Isna e do India TV.