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Brasil

Lula assina MP que proíbe as bets, e sites e aplicativos saem do ar em 6 de outubro

Apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para sacar o que está em conta; a devolução dos saldos remanescentes ocorre entre 9 e 14 de outubro, e as multas chegam a R$ 2 bilhões

Por Redação RecortNews
A fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, sede da Presidência da República, em 2020.
A fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, sede da Presidência da República, em 2020.Foto: Pedro França/Agência Senado/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O governo federal decidiu encerrar o mercado de apostas online que ele próprio havia regulamentado. Em medida provisória assinada na sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país — o que inclui apostas esportivas, cassinos online e os jogos derivados que se popularizaram sob apelidos como "tigrinho", em ambiente físico ou virtual.

A proibição alcança também as autorizações concedidas por governos estaduais e pelo Distrito Federal, um ponto que vinha sendo disputado desde a regulamentação federal. A partir da publicação do texto, nenhum novo aporte pode ser aceito.

O cronograma até 14 de outubro

A medida provisória não desliga o setor de uma vez: estabelece uma sequência de prazos para que o dinheiro dos apostadores volte antes que as plataformas saiam do ar.

  • 25 de setembro: publicação da MP e proibição imediata de novos aportes.
  • Até as 23h59 de 5 de outubro: prazo para o apostador retirar voluntariamente o que tem em conta.
  • A partir de 6 de outubro: sites e aplicativos saem do ar.
  • 7 e 8 de outubro: as empresas informam aos bancos os saldos que sobraram.
  • De 9 a 14 de outubro: devolução dos valores aos apostadores.
  • A partir de 14 de outubro: a Caixa Econômica Federal assume a devolução nos casos em que ela não tiver sido concluída.

Quem descumprir a proibição está sujeito a multa de até R$ 2 bilhões, além da suspensão das atividades.

Os números que o governo usou

A justificativa apresentada pelo Executivo é de saúde pública, não de arrecadação. Segundo os dados citados pelo governo, 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos doze meses anteriores a 2023, e 10,9 milhões deles apresentavam padrão de jogo de risco ou já problemático. Os atendimentos relacionados a jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025.

O custo social do setor foi estimado pelo governo em R$ 38,8 bilhões por ano — valor que supera com folga o que o Estado arrecadou na porta de entrada do mercado. Foram 85 outorgas concedidas, ao preço de R$ 30 milhões cada, o que soma R$ 2,55 bilhões.

"Nossa decisão vem a partir do efeito danoso que as Bets geraram no Brasil", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que atribuiu a governos anteriores falhas regulatórias na proteção contra o uso por crianças e contra a lavagem de dinheiro. Lula foi mais direto: "Essa jogatina na internet não é jogo de aposta, é uma doença", disse o presidente.

O que ainda depende do Congresso

Uma medida provisória tem força de lei desde a publicação, mas vigora por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e caduca se o Congresso não a aprovar nesse prazo. O governo trabalha com a expectativa de votação em novembro, após o retorno dos parlamentares — período em que a agenda legislativa já estará tomada pelo calendário eleitoral.

O ambiente de opinião pública, por ora, favorece o Executivo. Levantamento Atlas/Bloomberg citado no anúncio aponta 75% de apoio à proibição, com 71% concordando totalmente e 79% favoráveis a limitar a propaganda de apostas; 88% discordam da ideia de que apostar sirva para complementar renda. O apoio é maior entre mulheres (79%).

Resta o outro lado da conta: o dinheiro das casas de apostas sustenta hoje boa parte do patrocínio do futebol brasileiro, e é ali que a MP deve encontrar sua resistência mais organizada.

Com informações da Agência Gov, da Agência Brasil e do Brasil de Fato.