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Medo da violência faz 98% das brasileiras mudarem a rotina, aponta pesquisa

Levantamento dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva mostra que 78% das mulheres já sofreram algum tipo de violência e 45% abriram mão de oportunidades de trabalho ou estudo

Ato do Levante Mulheres Vivas contra o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres, na área central de Brasília, em 7 de dezembro de 2025
Ato do Levante Mulheres Vivas contra o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres, na área central de Brasília, em 7 de dezembro de 2025Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quase todas as brasileiras reorganizam a vida em torno do risco de sofrer violência. Segundo a pesquisa "Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência", divulgada nesta quarta-feira (16), 98% das mulheres adotam ao menos uma estratégia no cotidiano para se proteger.

O estudo foi feito pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber.

Insegurança no dia a dia

  • 94% das mulheres dizem se sentir inseguras diante da violência no cotidiano — entre os homens, o índice é de 84%;
  • 94% delas têm medo de ser vítimas durante deslocamentos pela cidade (90% entre os homens);
  • 78% afirmam já ter sofrido pelo menos um tipo de violência.

Os lugares de maior insegurança citados pelas mulheres são pontos de ônibus e estações (42%), bares, festas e baladas (41%) e o interior do transporte público (33%), de acordo com a Agência Brasil.

As estratégias de proteção

Entre as medidas mais comuns estão:

Estratégia Mulheres que adotam
Evitar determinados lugares 90%
Não compartilhar localização ou dados pessoais nas redes 88%
Evitar usar o celular na rua 84%
Avisar alguém sobre trajetos e horários 83%

O custo nas escolhas

O dado que mais chama atenção vai além da cautela: o medo muda decisões de vida. 62% das mulheres alteraram hábitos de lazer, 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam e 56% trocaram a caminhada por outro meio de transporte.

Nas decisões de maior peso, 45% deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo e 44% já pensaram em mudar de bairro ou de cidade por segurança. Na prática, a violência — mesmo quando não chega a acontecer — funciona como uma barreira ao acesso a emprego e educação.

Poder público e eleição

Os entrevistados atribuem a responsabilidade pela segurança das mulheres principalmente às polícias Militar e Civil (73%), aos governos federal e estaduais (69%) e às prefeituras (66%). A avaliação das instituições é majoritariamente negativa: 74% para o Legislativo, 72% para os governos estaduais, 71% para o Judiciário e 71% para o governo federal.

A menos de três semanas do primeiro turno, o tema tem peso eleitoral: 78% das mulheres dizem que propostas contra a violência nas ruas e no transporte vão influenciar o voto.

Entre as políticas defendidas, 95% consideram importante ampliar os canais de denúncia, 93% pedem melhorias na infraestrutura urbana e 93% apoiam políticas específicas de proteção às mulheres.

Metodologia

Foram ouvidas 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026, por entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

Com informações de Agência Patrícia Galvão e Agência Brasil.