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Brasil

Ministério da Saúde alerta para risco de reintrodução do sarampo com a viagem à Copa

Estados Unidos, Canadá e México têm surtos ativos; cobertura da segunda dose no Brasil está em 78%, bem abaixo da meta

Movimento de aviões no Aeroporto de Guarulhos (SP), em 21 de outubro de 2025
Movimento de aviões no Aeroporto de Guarulhos (SP), em 21 de outubro de 2025Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Ministério da Saúde alertou para o risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil por causa do fluxo de viajantes à Copa do Mundo de 2026 — sediada por Estados Unidos, Canadá e México, os três com surtos ativos da doença.

O torneio vai de 11 de junho a 19 de julho.

A cobertura que deixou a porta aberta

Os números de 2025:

  • primeira dose: 92,66% (meta: 95%)
  • segunda dose: 78,02%
  • homogeneidade da D2: 35,24%

O indicador de homogeneidade é o mais duro dos três: ele mede em quantos municípios a meta foi realmente atingida. Um país pode ter média nacional razoável e ainda assim ter bolsões sem proteção — e é no bolsão que o vírus reentra.

Quem deve se vacinar antes de viajar

  • 6 a 11 meses e 29 dias: dose zero, no mínimo 15 dias antes do embarque
  • 12 meses a 29 anos: esquema de duas doses, idealmente 45 dias antes
  • 30 a 59 anos: pelo menos uma dose, 15 dias antes

O que a Saúde espera, e o que teme

"A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande", disse Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

O ministério trabalha com a diferença entre caso importado e transmissão sustentada: "Casos importados vão acontecer (...), mas esses casos não resultaram em transmissão mantida da doença entre nós."

É uma distinção que depende inteiramente da cobertura vacinal. Caso importado é inevitável num país que recebe viajantes; surto é o que acontece quando ele encontra gente sem vacina.


Com informações da Agência Brasil. Reportagem original de Paula Laboissière, publicada em 23 de abril de 2026.