O Ministério da Saúde alertou para o risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil por causa do fluxo de viajantes à Copa do Mundo de 2026 — sediada por Estados Unidos, Canadá e México, os três com surtos ativos da doença.
O torneio vai de 11 de junho a 19 de julho.
A cobertura que deixou a porta aberta
Os números de 2025:
- primeira dose: 92,66% (meta: 95%)
- segunda dose: 78,02%
- homogeneidade da D2: 35,24%
O indicador de homogeneidade é o mais duro dos três: ele mede em quantos municípios a meta foi realmente atingida. Um país pode ter média nacional razoável e ainda assim ter bolsões sem proteção — e é no bolsão que o vírus reentra.
Quem deve se vacinar antes de viajar
- 6 a 11 meses e 29 dias: dose zero, no mínimo 15 dias antes do embarque
- 12 meses a 29 anos: esquema de duas doses, idealmente 45 dias antes
- 30 a 59 anos: pelo menos uma dose, 15 dias antes
O que a Saúde espera, e o que teme
"A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande", disse Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
O ministério trabalha com a diferença entre caso importado e transmissão sustentada: "Casos importados vão acontecer (...), mas esses casos não resultaram em transmissão mantida da doença entre nós."
É uma distinção que depende inteiramente da cobertura vacinal. Caso importado é inevitável num país que recebe viajantes; surto é o que acontece quando ele encontra gente sem vacina.
Com informações da Agência Brasil. Reportagem original de Paula Laboissière, publicada em 23 de abril de 2026.




