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Missão da ONU vê indícios de crime de guerra dos EUA em ataque a escola no Irã

Relatório aponta mais de 150 mortos, cerca de 120 deles crianças, no bombardeio a uma escola primária em Minab, e 22 civis em Lamerd; o mesmo documento acusa Teerã de crimes contra a humanidade

Por Redação RecortNews
Lançamento de um míssil Tomahawk a bordo do destróier USS Curtis Wilbur, em exercício naval no Pacífico, em 2019. O relatório da ONU examina ataques com mísseis desse tipo contra alvos no Irã em fevereiro de 2026.
Lançamento de um míssil Tomahawk a bordo do destróier USS Curtis Wilbur, em exercício naval no Pacífico, em 2019. O relatório da ONU examina ataques com mísseis desse tipo contra alvos no Irã em fevereiro de 2026.Foto: Taylor DiMartino/Marinha dos Estados Unidos, domínio público

Uma missão independente criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas concluiu que há "motivos razoáveis para crer" que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra de lançar ataques indiscriminados contra o Irã, em dois bombardeios que mataram mais de 170 civis em 28 de fevereiro deste ano — o primeiro dia da guerra contra o país.

O documento, divulgado nesta semana pela Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, é o primeiro exame formal de um órgão das Nações Unidas sobre a condução da guerra. Os integrantes da missão são peritos independentes: não são funcionários da ONU e não representam nenhum governo ou organização.

Os dois ataques examinados

O caso central do relatório é o bombardeio da Escola Primária Árvore de Tayyiba, em Minab, no sul do país, atingida por mísseis Tomahawk. A missão contabilizou mais de 150 mortos, entre eles cerca de 120 crianças.

Para os peritos, o prédio era identificável do alto. O relatório cita murais infantis pintados nas paredes externas, a placa da escola e a área de recreação, e afirma que os Estados Unidos "falharam em sua obrigação de fazer tudo o que era factível para verificar que se tratava de um objetivo militar".

O segundo caso é o ataque a um complexo esportivo e a uma área residencial em Lamerd, com 22 civis mortos. Havia um complexo da Guarda Revolucionária ao lado, mas a missão considerou que o centro esportivo estava "visivelmente separado" dele.

Somados, os dois episódios deixaram mais de 170 civis mortos.

O relatório também acusa o Irã

O mesmo documento atribui ao governo iraniano crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos protestos de 2025 e 2026. Segundo a missão, as mortes provocadas por forças de segurança ocorreram "em escala massiva, em todas as províncias".

Os números reunidos pelos peritos incluem pelo menos 221 crianças mortas — algumas com apenas dois anos —, dezenas de milhares de pessoas presas arbitrariamente, com relatos de tortura e isolamento, pelo menos 29 homens executados em conexão com os protestos e mais de 70 sob risco iminente de execução. A missão indica que o total real de mortos supera a cifra oficial iraniana, de 3.038.

Reações e recomendações

A Casa Branca rejeitou as conclusões sobre os Estados Unidos, tratando o relatório como algo sem seriedade. Não houve, até a publicação desta matéria, resposta formal do governo iraniano às acusações dirigidas a Teerã.

Aos dois países, a missão recomenda a interrupção imediata das violações, reparação integral às vítimas e investigações independentes que levem à responsabilização dos culpados, além da busca de uma solução diplomática permanente.

Vale registrar o alcance do documento: uma missão de apuração de fatos não é um tribunal e não condena ninguém. O que ela produz é o registro de provas — material que, no passado, alimentou processos em cortes nacionais e internacionais anos depois.

Com informações de ONU News, Al Jazeera e Democracy Now.