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Política

MP das bets vai à assinatura na quarta e proíbe cassino online, mas mantém a aposta esportiva

Texto em elaboração barra jogos como o "tigrinho" e restringe publicidade; clubes de futebol falam em perda de R$ 1 bilhão em patrocínios

Por Redação RecortNews
Imagem usada pelo governo federal em julho de 2026, quando 37 fintechs foram notificadas por movimentar dinheiro de bets ilegais, em Brasília.
Imagem usada pelo governo federal em julho de 2026, quando 37 fintechs foram notificadas por movimentar dinheiro de bets ilegais, em Brasília.Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar na próxima quarta-feira (23) a medida provisória que endurece as regras das apostas eletrônicas no país. O texto em elaboração, porém, é mais estreito do que a frase que o presidente vem repetindo em campanha: ele proíbe os jogos de cassino online — a categoria em que entram títulos como o "tigrinho" — e aperta a publicidade, mas mantém autorizada a aposta esportiva, que é o coração do mercado.

A distância entre o anúncio e o texto ficou visível na sexta-feira (18). Em ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao lado do vice Geraldo Alckmin, do candidato Fernando Haddad e das senadoras Marina Silva e Simone Tebet, Lula afirmou: "Decidi que vou acabar com as bets". Segundo o Poder360, ele disse que editaria a medida depois de voltar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A MP, conforme apurou o Brasil de Fato, ficou marcada para o dia 23.

O que o texto prevê

Pelo desenho descrito por quem acompanha a redação da medida, a MP alcança os jogos de cassino online e restringe a propaganda das casas de apostas. Patrocínio esportivo — o contrato que estampa a marca da bet na camisa do time — não aparece no rascunho. Na prática, o que sai do ar é a roleta eletrônica; o que fica é a aposta no jogo de domingo, com menos anúncio em volta.

O governo trabalha com a expectativa de reação dos setores financiados pelas apostas, e com a leitura de que a opinião pública está do outro lado.

Os clubes já reagiram

Antes mesmo de o texto existir, clubes da Série A — entre eles Flamengo, Palmeiras e Corinthians — divulgaram um manifesto intitulado "O Fim do Futebol Brasileiro", no qual estimam perda da ordem de R$ 1 bilhão em receitas de patrocínio e alertam para risco de insolvência. A reação da torcida nas redes foi majoritariamente contrária ao manifesto, com questionamentos sobre a dependência dos clubes do dinheiro das apostas.

É um dado que ajuda a medir o tamanho do problema para o governo: o mesmo setor que ele quer limitar banca hoje parte da folha do futebol brasileiro.

O caminho até aqui

A decisão vinha sendo preparada desde o começo do mês. Em 1º de setembro, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, conduziu reunião com os ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Pública, do Esporte, a Secretaria-Geral da Presidência e a Secretaria de Comunicação Social para discutir se o caminho seria regular ou proibir. Na ocasião, Lula disse achar que era preciso "tomar a decisão mais drástica", e ponderou a dificuldade de alcançar as cerca de 60 mil bets clandestinas.

Os números apresentados naquela reunião explicam a pressa. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, relatou que os atendimentos no SUS ligados a apostas saltaram de cerca de 600 por mês para 100 mil por mês, e que 55% dos casos são de mulheres. As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.

A MP chega a 11 dias do primeiro turno. Uma medida provisória vale desde a assinatura, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para virar lei — e o Congresso que vai analisá-la é o que sai das urnas de 4 de outubro.

Com informações da Agência Brasil, do Brasil de Fato e do Poder360.