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Nasa transforma a Artemis III em teste de acoplamento na órbita da Terra e mantém a descida à Lua em 2028

Quatro astronautas farão uma missão de cerca de duas semanas em órbita baixa no meio do ano que vem, acoplando com versões de teste da Starship, da SpaceX, e da Blue Moon, da Blue Origin.

Por Redação RecortNews
A cápsula Orion, sem tripulação, fotografada pela câmera de seu próprio painel solar a meio caminho da Lua durante a missão Artemis I, em novembro de 2022.
A cápsula Orion, sem tripulação, fotografada pela câmera de seu próprio painel solar a meio caminho da Lua durante a missão Artemis I, em novembro de 2022.Foto: NASA's Orion Spacecraft Solar Array Camera/Wikimedia Commons, Public domain

A Nasa reescreveu nesta sexta-feira o próximo voo de seu programa lunar: a Artemis III deixa de ser uma missão à Lua e passa a ser um ensaio de acoplamento na órbita da Terra — e fica em aberto, por ora, qual veículo levará astronautas até a superfície.

As mudanças foram apresentadas em entrevista coletiva no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 23 de outubro, por Jared Isaacman, administrador da NASA (a agência espacial americana), pelo administrador associado Amit Kshatriya e por Jeremy Parsons, gerente do programa Artemis. A agência diz que continua mirando um pouso tripulado em 2028.

O que a Artemis III passa a ser

Em vez de seguir para a Lua, a Artemis III vai ficar na órbita baixa da Terra. Quatro astronautas — três da Nasa e um da Itália, segundo a Fortune — farão uma missão de cerca de duas semanas, com lançamento pelo Space Launch System (SLS), o foguete da agência, a partir do Centro Espacial Kennedy. Isaacman disse que o voo segue previsto para o meio do ano que vem.

Em órbita, a cápsula Orion deve encontrar e acoplar com versões de teste dos dois módulos lunares comerciais: a Starship, da SpaceX, e a Blue Moon Mark 2, da Blue Origin.

Uma peça antiga do plano desapareceu. A Orion e os módulos não vão mais se encontrar numa órbita halo quase retilínea em torno da Lua; cada empresa usará a órbita que convém ao seu próprio veículo.

Frank Rubio, escalado para a tripulação, chamou o esforço de "incrivelmente ambicioso". "Como fã de foguetes, vai ser bem impressionante", disse Kshatriya sobre o acoplamento duplo.

Nenhum módulo é mais dono de um pouso

Nos contratos originais, a SpaceX estava designada para a Artemis III e a Artemis IV, e a Blue Origin, para a Artemis V. Nos acordos revisados, as duas empresas participam da Artemis III em órbita baixa e nenhuma está amarrada a um pouso específico.

A Nasa diz que escolherá o primeiro módulo pelo grau de prontidão, com uma segunda janela de pouso em seguida. Cada veículo terá de fazer uma missão de demonstração sem tripulação e ser certificado pela agência antes de embarcar gente.

Os contratos também acrescentaram tarefas dos dois lados: duas demonstrações da cabine Cabin 1, da SpaceX, e, no caso da Blue Origin, testes com pessoas no circuito e marcos de prontidão de equipamento para treinamento e operações de voo.

Dois caminhos para o mesmo lugar

Os dois módulos chegam à Lua de maneiras bem diferentes, e é isso que cada demonstração sem tripulação precisa provar.

A SpaceX depende de juntar combustível no espaço: uma série de Starships-tanque sobe à órbita baixa e transfere propelente para um depósito, que depois abastece o módulo. O módulo espera a Orion na órbita da Terra, acopla e dá a queima de injeção translunar que empurra o conjunto para a órbita baixa da Lua. A Nasa está modificando a Orion para que a Starship consiga empurrar a cápsula até lá.

A Blue Origin adia por completo a transferência de combustível. Três estágios de transferência, construídos sobre equipamento já existente das versões Mark 1 e Mark 2, sobem à órbita baixa antes do módulo; montado o conjunto, ele segue para uma órbita polar elíptica, com cada estágio se separando à medida que seu propelente acaba.

Nas duas arquiteturas, dois astronautas descem à superfície e dois ficam na Orion. As primeiras missões de superfície estão planejadas com duas caminhadas lunares de cerca de duas horas cada, para coleta de amostras e teste dos trajes espaciais feitos pela Axiom Space.

A corrida ao fundo da cena

"A Nasa não tem a menor intenção de ficar de braços cruzados enquanto as peças se encaixam", disse Isaacman. Ele descreveu a disputa com o programa lunar chinês como "muito mais apertada do que precisaria ser".

O efeito prático do anúncio de sexta-feira é tirar o problema mais difícil — reabastecer um módulo no espaço, ou empilhar estágios de transferência — da missão que leva a primeira tripulação e jogá-lo para um voo sem gente a bordo, que pode falhar sem custar um pouso. Uma descida tripulada em 2028 seria a primeira desde a Apollo 17, em dezembro de 1972.

Com informações da Nasa, da Fortune e da CBS News.